Ciclo de Debates sobre as relações entre imprensa e regime militar no Paraná

Dia 13 de maio, às 19 horas, no auditório do Decom (Floresta), a jornalista Elza de Oliveira Filha e o cientista político Ricardo Costa Oliveira vão debater a posição do Paraná no período pós 1964 e a resposta dos jornais, tevês e emissoras de rádio diante da censura.
Elza Aparecida de Oliveira Filha é doutora em Ciências da Comunicação pela Unisinos e leciona na Universidade Positivo. É autora do livro Olhares sobre uma cobertura: eleições de 2002 para o governo do Paraná em três jornais locais (2007).

cartazditaduraRicardo Costa de Oliveira é doutor em Ciências Sociais pela Unicamp e leciona no Departamento de Ciências Sociais da UFPR. É autor de O Silêncio dos Vencedores – Genealogia, Classe Dominante e Estado no Paraná.
O evento faz parte do cronograma de atividades do Núcleo de Extensão Jornalismo e Ditadura Militar no Paraná, criado no Decom em 2012. Os participantes receberão certificado de quatro (4) horas de atividade.
Inscrições no local.
Fonte- Sindijor/Por André Bonsanto Dias

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Em depoimento à Comissão da Verdade, coronel narra plano para matar Jango

Em depoimento no sábado (4) à Comissão Nacional da Verdade (CNV), no Rio, o coronel-aviador da reserva Roberto Baere contou detalhes da Operação Mosquito, conspiração de oficiais da Aeronáutica para matar João Goulart em 1961. O então vice, conhecid

Roberto-Baere

Coronel Roberto Baere conta detalhes da Operação Mosquito. Foto- CVN

o como Jango, estava prestes a assumir a Presidência da República após a renúncia de Jânio Quadros, em 25 de agosto, mas um grupo de militares de direita queria impedir a posse.

Goulart, do PTB, era apoiado por partidos de esquerda e identificado com o presidente Getúlio Vargas, que se matara em 1954 para reagir a pressões de setores golpistas ligados à UDN. Quando Jânio renunciou ao governo, em 25 de agosto de 1961, Goulart estava em viagem à China. Ciente da oposição da direita militar e civil, o vice demorou dias para voltar.

Só chegou em 31 de agosto e desembarcou em Porto Alegre, onde não corria riscos porque as tropas gaúchas eram leais ao govern

o, assim como seu cunhado, o governador Leonel Brizola (PTB), que montara uma rede de rádios para apoiar a sua posse na Presidência – a Cadeia da Legalidade. Mas Jango precisava ir para Brasília, o que só ocorreu em 5 de setembro, depois que um acordo político resultou na aprovação do parlamentarismo. O plano dos golpistas era abater o avião em que Goulart faria essa viagem.

Baere, então tenente do 1º Grupamento

de Aviação de Caça da Base Aérea de Santa Cruz, na zona oeste do Rio, contou ter recebido ordens do comandante da base, o tenente-coronel Paulo Costa (que já morreu), para preparar os caças que seriam usados no ataque ao avião que transportava o vice-presidente. Baere e três colegas se recusaram a cumprir a missão e pediram para não serem escalados.

“Pedimos que ele não nos escalasse porque entramos nas Forças Armadas para defender a Constituição e não agredi-la.” O plano acabou não sendo colocado em prática, mas Baere passou a ser perseguido e foi punido três anos depois, já durante a ditadura, instituída pelo golpe de 31 de março de 1964. “Fui sumariamente expulso, após fic

ar 50 dias incomunicável na prisão, policiado na porta por um oficial portando metralhadora, como se fosse um marginal de alta periculosidade”, afirmou.

Durante a audiência pública, a CNV ouviu depoimentos de vários militares que se opuseram ao golpe e foram punidos. Em 25 de março daquele ano, sete dias antes da deposição de Goulart, o fuzileiro naval Paulo Novais Coutinho foi enviado ao Sindicato dos Metalúrgicos, no centro do Rio, com ordens para dispersar uma reunião da Associação de Marinheiros e Fuzileiros Navais considerada ilegal pelo comando da Marinha.
“Eu era da Companhia de Polícia e fui, em um pelotão de 39 homens, para reprimir a reunião. Mas a assembleia estava apoiando Goulart e, em vez de combater os colegas, colocamos as metralhadoras no chão, entramos no sindicato e apoiamos o movimento”, narra. Coutinho acabou preso por 9 meses e expulso por indisciplina. “Só consegui voltar à Marinha em 1989, mas até hoje somos vistos com preconceito”, diz.

Fonte-  Portal IG e Comissão Nacional da Verdade

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Comissão da Verdade decide exumar o corpo do ex-presidente João Goulart

O corpo do ex-presidente João Goulart, morto em 1976, será exumado, por decisão da Comissão Nacional da Verdade e do MPF-RS (Ministério Público Federal do Rio Grande do Sul).

A despeito da versão oficial da morte de Goulart, por ataque cardíaco durante exílio na Argentina após ser deposto pelo golpe de 1964, a família d

Presidente João Goulart, em foto de 1961. Foto-Acervo UH/Folhapress

Presidente João Goulart, em foto de 1961. Foto-Acervo UH/Folhapress

o ex-presidente acredita que ele possa ter sido envenenado. O corpo de João Goulart está enterrado no cemitério de São Borja, no Rio Grande do Sul.

A advogada criminalista Rosa Cardoso, integrante da Comissão da Verdade, disse que os “indícios concludentes” de que Goulart foi vigiado no exílio pela “Operação Condor” (uma aliança entre as ditaduras do Cone Sul nos anos 1970 para perseguir os opositores dos regimes militares da região) sugerem, também, que ele pode ter sido assassinado por ordem da ditadura brasileira. A exumação deve confirmar ou não essa premissa.

Por enquanto, Rosa evita afirmações categóricas. “Nós temos que perguntar agora se já é possível que a comissão se posicione a respeito de um ass

assinato”, disse. Mas, “como criminalista”, afirmou que tem visto casos nos quais o Judiciário se pronuncia [pela condenação de criminosos] “com uma quantidade muito menor de indícios conclude

ntes” do que os disponíveis na apuração sobre a morte de Jango.

Ainda de acordo com a advogada, os indícios incluem os fatos narrados na representação da família Goulart, que por intermédio do Instituto Presidente João Goulart motivou o início do inquérito civil público em curso no MPF-RS desde 2007.

Ela também mencion

ou o documentário “Dossiê Jango” (2012), de Paulo Henrique Fontenelle, e o depoimento do ex-agente uruguaio Mário Neira Barreto, preso no Rio Grande do Sul, que confessou ter sido “cúmplice” do assassinato do ex-presidente por envenenamento, na Argentina.
Tese de envenenamento

Segundo o neto de João Goulart, Chr

istopher, que encaminhou a petição à Comissão, reforçando o pedido e a autorização para a exumação do corpo do ex-presidente, a família está convencida de que Jango foi assassinado e recebeu garantias da Sedh (Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República) de que já há tecnologia para detectar traços do veneno mesmo décadas após a morte.

A tese é que o ex-presidente foi envenenado por um agente argentino sob ordens do ex-delegado Sérgio Fleury e com o conhecimento do ex-general Orlando Geisel.

Uma cápsula com a substância teria sido colocada entre medicamentos tomados regularmente por Jango em um hotel em Buenos Aires. Ele morreu alguns dias depois em sua fazenda em Mercedes, na província de Corrientes.

Fonte- Uol com informações do Valor

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CNV realiza audiência pública com militares

Brigadeiro Rui Moreira Lima durante depoimento prestado à CNV em outubro de 2012. Foto: Marcelo Oliveira - ASCOM / CNV

Brigadeiro Rui Moreira Lima durante depoimento prestado à CNV em outubro de 2012. Foto: Marcelo Oliveira – ASCOM / CNV

A Comissão Nacional da Verdade e a Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro realizam no próximo dia 04, sábado, audiência pública para ouvir militares que foram perseguidos pela ditadura civil-militar brasileira. O evento acontece no Rio de Janeiro, de 10h às 17h30, no auditório da Associação Brasileira de Imprensa.

A comissionada Rosa Cardoso representará a CNV na mesa de abertura, onde também estarão o presidente da Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro, Wadih Damous, e o presidente do Instituto João Goulart, João Vicente Goulart.

Militares vítimas da repressão que se seguiu ao Golpe de 1964 relatarão as perseguições que sofreram por atuarem na resistência ao regime ou em movimentos em defesa da legalidade quando da crise gerada pela renúncia de Jânio Quadros, em agosto de 1961 (os militares legalistas defenderam a posse de João Goulart, uma vez que ele era o vice-presidente democraticamente eleito e, portanto, o substituto do titular; posteriormente, esses mesmos militares resistiram ao golpe militar e foram duramente perseguidos).

Eduardo Chuay, capitão do exército reformado, foi preso, cassado e torturado em 64 porque defendia a legalidade democrática. Fernando de Santa Rosa, capitão de mar e guerra reformado, também foi preso e cassado por se alinhar à corrente legalista. Luiz Carlos De Souza Moreira, igualmente cassado, foi perseguido e até hoje se posiciona contra os setores mais conservadores dos grupos militares que defendem o regime ditatorial instaurado em 64.

Daltro Jacques D’Ornelas, sargento cassado do Exército, e Paulo Novais Coutinho, ex-sub-oficial fuzileiro, se uniram a grupos de resistência armada após terem perdido os cargos no Exército e na Marinha, respectivamente. D´Ornelas integrou a guerrilha de Caparaó, um dos primeiros movimentos armados de resistência do país. Os cinco estarão entre os depoentes da audiência.

Na parte da tarde, familiares de perseguidos pela repressão também darão relatos sobre o que testemunharam. Uma delas será Iracema Teixeira, líder do Movimento Feminino pela Anistia e esposa do Brigadeiro Teixeira. O público presente também poderá participar fazendo intervenções. A ouvidoria e assessores da CNV estarão presentes para colher documentos ou agendar e receber depoimentos de militares vítimas da repressão.

Durante a audiência, será exibido um vídeo sobre o Brigadeiro Rui Moreira Lima. Ele prestou depoimento à CNV em outubro de 2012 (saiba mais aqui). Moreira Lima foi um ator importante na resistência ao regime e na luta pela anistia dos militares cassados e perseguidos. Ele não poderá comparecer ao evento por motivos de saúde.

A nova audiência pública da Comissão da Verdade no Rio de Janeiro é organizada pelo Grupo de Trabalho sobre Perseguição aos Militares, da CNV, que pesquisa a perseguição política e ideológica aos militares ocorridas entre 64 e 88 e também nos anos que precederam o golpe. Conheça mais sobre o trabalho do GT aqui.
SERVIÇO:
O quê: Audiência Pública – Militares perseguidos pela ditadura
Quando: 04/05/2013
Horário: 10h às 17h30
Onde: Auditório da Associação Brasileira de Imprensa (ABI).
Endereço: Rua Araújo Porto Alegre, número 71, 9º andar. Centro. Rio de Janeiro. Metrô: Cinelândia.

 

Fonte:

Comissão Nacional da Verdade
Assessoria de Comunicação

Mais informações à imprensa: Lívia Mota e Marcelo Oliveira
(61) 3313-7324 | comunicacao@cnv.presidencia.gov.br

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Comissão da Verdade da OAB/PR realiza audiência pública

OAB UNIBRASIL

Nesta sexta-feira, a partir das 9h, audiência publica da Comissão da Verdade da OAB- Paraná.
Local: Unibrasil, Estúdio de Jornalismo, Rua Konrad Adenauer, 442 – Tarumã – CURITIBA

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Revisão da Lei de Anistia volta à discussão na Comissão Nacional da Verdade

Comissão Nacional da Verdade - Jornal Estado de Minas

Comissão Nacional da Verdade – Jornal Estado de Minas

 

Jornal Estado de Minas – Felipe Canêdo

Publicação: 30/04/2013 06:00 Atualização: 30/04/2013 07:27

O coordenador da Comissão Nacional da Verdade (CNV), Paulo Sérgio Pinheiro, afirmou nessa segunda-feira que o trabalho do colegiado deve servir para futura investigação judicial e responsabilização criminal de agentes de Estado que operaram na estrutura repressiva da ditadura militar. Ele frisou que no relatório final da comissão deverá haver recomendações para que o Brasil respeite uma decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos que questiona a validade da Lei de Anistia. “Existe uma sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos que diz que as autoanistias não são aceitáveis”, ele destacou ontem, em encontro em São Paulo com membros das comissões estaduais de Memória Verdade e Justiça. “O que aconteceu no Brasil foi uma autoanistia”, afirmou. Na ocasião da sentença proferida pela corte, o então ministro da Defesa, Nelson Jobim declarou que a decisão não teria efeitos práticos, se baseando em posição do Supremo Tribunal Federal (STF), que rejeitou ação pedindo a revisão da Lei da Anistia. Rosa Cardoso, também integrante da CNV, disse que espera uma revisão da decisão do Supremo.
 

Pressionada pelos membros de comitês estaduais por mais agilidade e transparência, a CNV anunciou também que deve divulgar um relatório parcial de seus trabalhos e partes dos depoimentos colhidos por ela. “A comissão está sinalizando uma mudança de rumo. Está reorientando o trabalho porque começa a perceber que é preciso que suas investigações repercutam agora na sociedade. O trabalho dela é também pedagógico, não é simplesmente fazer um relatório e dar a coisa por encerrada”, avaliou o vice-presidente do grupo Tortura Nunca Mais de São Paulo, Marcelo Zelic, presente ao evento.

A coordenadora do núcleo de lutas pela terra da CNV, a psicanalista Maria Rita Kehl disse anteriormente ao Estado de Minas que há casos em que é importante manter o sigilo das investigações para que elas não sejam prejudicadas.

Demissão

No encontro, foi anunciada a saída do ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Gilson Dipp, da CNV, por motivo de saúde. Afastado do STJ já há sete meses, ele havia informado a comissão há onze dias, mas a decisão só foi confirmada publicamente ontem.

Um grupo de trabalho do Ministério Público Federal chamado Justiça de Transição já trabalha de acordo com a linha defendida pelo presidente da CNV e instaurou 170 investigações criminais, sustentando que os crimes de sequestro, homicídio, tortura e ocultação de cadáver não prescrevem. Pelo menos quatro delas deram origem a ações penais. (Com agências)

Ustra é denunciado

O Ministério Público Federal apresentou ontem denúncia contra o coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra e o delegado aposentado Alcides Singillo por ocultação do cadáver do estudante de medicina Hirohaki Torigoe, de 27 anos, morto em janeiro de 1972, em São Paulo. Tarigoe era militante da Aliança Libertadora Nacional (ALN) e do Movimento de Libertação Popular (Molipo) e teria morrido em confronto com policiais, segundo consta a versão oficial. No entanto, dois depoimentos, de André Tsutomu Ota e Francisco Carlos de Andrade, contestam a informação. Ambos estavam presos no DOI-Codi quando o estudante foi morto.

 

Saiba mais…

 Coordenador de comissão questiona lei da anistia 

Comissão de Anistia reconhece direitos de 15 filhos de perseguidos políticos 

Lei da Anistia volta a ficar sob ataque na Câmara dos Deputados

Fonte:

Jornal Estado de Minas – Felipe Canêdo

Publicação: 30/04/2013 06:00 Atualização: 30/04/2013 07:27

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Ustra é denunciado por ocultação de cadáver

ustranovaO Ministério Público Federal (MPF) em São Paulo denunciou, pelo crime de ocultação de cadáver, o coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra, comandante do Destacamento de Operações Internas de São Paulo (DOI-Codi) no período de 1970 à 1974. Também foi denunciado pelo mesmo crime o delegado aposentado Alcides Singillo, que atuou no Departamento de Ordem Política e Social de São Paulo (Deops-SP) na ditadura militar.

Na ação, ajuizada na última sexta-feira (26), Ustra e Singillo são acusados de ocultar o cadáver do estudante de medicina Hirohaki Torigoe, então com 27 anos, morto no dia 5 de janeiro de 1972. Torigoe foi membro da Ação Libertadora Nacional (ALN) e do Movimento de Libertação Popular, organizações de resistência à ditadura.

De acordo com o MPF, a versão oficial do crime – divulgada à imprensa duas semanas após o desaparecimento do estudante – sustenta que Torigoe foi morto na Rua Albuquerque Lins, no bairro de Higienópolis, na zona oeste de São Paulo, em um tiroteio com a polícia. Segundo as fontes oficiais da época, a demora na divulgação da morte ocorreu porque a vítima usava documentos falsos, com o nome de Massahiro Nakamura.

No entanto, o MPF contesta a versão oficial com base no depoimento de duas testemunhas: André Tsutomu Ota e Francisco Carlos de Andrade, presos na mesma data. De acordo com os depoimentos, Torigoe foi ferido e levado ainda com vida ao Doi-Codi do 2º Exército, no bairro do Ibirapuera, onde foi interrogado e submetido à tortura.

As testemunhas afirmaram que os agentes responsáveis pela prisão de Torigoe tinham pleno conhecimento da verdadeira identidade do detido. Apesar disso, de acordo com o MPF, todos os documentos a respeito da morte da vítima, inclusive o laudo de necropsia, a certidão de óbito e o registro no cemitério, foram elaborados em nome de Massahiro Nakamura.

Para o MPF, além de utilizarem o nome falso nos documentos de óbito e de sepultarem clandestinamente o estudante no Cemitério de Perus, em São Paulo, os subordinados de Ustra negaram aos pais de Torigoe informações a respeito do filho desaparecido.

Na ação, o órgão acusa Ustra de enterrar clandestinamente Hirohaki Torigoe, falsificar os documentos sobre a morte com o intuito de dificultar a localização do corpo, ordenar a seus subordinados que deixassem de prestar informações aos pais da vítima e de retardar a divulgação da morte em duas semanas, com a intenção de ocultar o cadáver e garantir a impunidade do homicídio.

“A conduta dolosa de ocultação do cadáver resta totalmente caracterizada pelo fato de que os pais da vítima estiveram nas dependências do Doi-Codi antes da divulgação da notícia do óbito, em busca do paradeiro do filho. Lá, porém, funcionários do destacamento sonegaram-lhes a informação de que Hirohaki Torigoe fora morto naquele mesmo local e que seu corpo fora clandestinamente sepultado com um nome falso”, ressalta o texto da ação.

Desde 2006, um inquérito civil público busca localizar os restos mortais de Hirohaki Torigoe. “Até hoje permanecem os restos mortais de Hirohaki Torigoe ocultos para todos os fins, inclusive os penais”, afirma o MPF.

O delegado de polícia aposentado Alcides Singillo é acusado de deixar de comunicar a correta identificação e localização do corpo à família da vítima, o cemitério onde ele supostamente foi enterrado e o cartório de registro civil onde a morte foi registrada. De acordo com o MPF, Singillo era, na época, delegado do Deops de São Paulo e tinha ciência da identidade do estudante, pois colheu o depoimento do verdadeiro Massahiro Nakamura, que foi a delegacia após a notícia de que Torigoe usava seu nome.

Segundo o advogado de Ustra, Paulo Esteves, o ex-coronel nunca participou de nenhum tipo de violação de direitos. “A violência não foi apanágio da vida dele”, disse. A reportagem não conseguiu localizar o advogado do ex-delegado Singillo.

Fonte- Brasil 247

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CNV anuncia balanço de um ano para 13 de maio

A Comissão Nacional da Verdade anunciou na segunda,29, uma série de novidades na relação com a sociedade civil, durante encontro com os comitês pela memória, verdade e a justiça de todo o país: a Comissão confirmou que apresentará um balanço de um ano de atividades no próximo dia 13 de maio, em Brasília, e encontros regionais com a sociedade civil no Pará, Recife, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e São Paulo para prestação de contas.chargecomissao

A Comissão Nacional da Verdade anunciou também que pretende intensificar a colheita de depoimentos para o relatório final da CNV, que apontará as circunstâncias e autoria das graves violações de Direitos Humanos ocorridas no período de 1946-1988. Também estão previstos mais depoimentos em eventos públicos.

O encontro aconteceu durante a manhã e a tarde de hoje em um hotel do centro de São Paulo. O evento foi antecedido por dois dias de reuniões dos comitês de memória, verdade e justiça da sociedade civil em um centro de convenções localizado em Cajamar, na Grande São Paulo. Ao todo, 110 representantes dos comitês se reuniram no final de semana, representando 29 comitês de 20 unidades da federação.

Hoje, no encontro, a sociedade civil anunciou suas conclusões após dois dias de trabalho e pediu mais transparência, mais eventos públicos e mais participação nos trabalhos da Comissão e a prioridade absoluta dos casos de mortos e desaparecidos pela CNV. E receberam, como resposta, o compromisso da Comissão em torno de todos esses pontos, muitos já anunciados ou em preparação pela CNV.

Segundo o coordenador da CNV, a Comissão também quer debater com a sociedade as recomendações ao Estado brasileiro, que acompanharão o relatório. Ele sugeriu, por exemplo, que deve ser recomendado ao país o cumprimento integral da decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos no caso Gomes-Lund (Guerrilha do Araguaia), que considera, entre inúmeras outras medidas, que a lei de Anistia brasileira, de 1979, é uma auto-anistia (concedida pelo próprio Estado a seus agentes), e, portanto, incompatível com o sistema internacional de direitos humanos. Confira aqui a íntegra do discurso do coordenador.

Paulo Fonteles Filho, do Comitê Paraense, anunciou que o movimento social deve fazer na segunda quinzena de setembro uma marcha até Brasília para mobilizar a população por uma nova interpretação da lei de Anistia. “É necessário que o povo vá para as ruas e trate do problema. É importante a participação da juventude brasileira”, afirmou.

“A juventude pode participar mais ao perceber que essas violações continuam hoje. Ela sente o aumento da letalidade da polícia. Os jovens são quem estão vivendo isso e sofrendo e são capazes de relacionar o presente com o passado”, afirmou Rosa Cardoso. “A polícia militar brasileira mata mais hoje que na ditadura. Há uma continuidade, que pela impunidade, se agrava”, afirmou Maria Rita Kehl.

Anivaldo Padilha, do Comitê Paulista, e um dos organizadores do evento, disse que as recomendações da CNV devem ser no sentido de superar resíduos do período autoritário.

Fonte- Comissão Nacional da Verdade

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Relatório da Comissão da Verdade pode embasar ações

O sociólogo Paulo Sergio Pinheiro, coordenador da Comissão Nacional da Verdade, disse na segunda-feira,29, que os trabalhos do órgão podem embasar processos criminais contra violadores dos direitos humanos. Segundo ele, no relatório final da comissão deverá haver recomendações para que o Brasil respeite uma decisão da Corte IPaulo Sérgio Pinheiro-2nteramericana de Direitos Humanos que questiona a validade da Lei de Anistia.

As afirmações foram feitas em entrevista coletiva em São Paulo, onde a comissão se reúne com integrantes de comitês da sociedade civil que buscam a punição de crimes ocorridos durante a ditadura militar.

“Existe uma sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos que diz que as autoanistias não são aceitáveis”, observou Pinheiro. “E o que aconteceu no Brasil foi uma autoanistia”, completou, fazendo referência ao fato de a legislação ter sido proposta por um regime que violou direitos humanos e cujos agentes ficaram impunes.

Em 2010, a Corte Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) condenou o Brasil por não ter punido os responsáveis pelas mortes e desaparecimentos de 62 pessoas ocorridos na Guerrilha do Araguaia, entre 1972 e 1975. Na sentença, a Corte considerou que a Lei da Anistia não poderia impedir a investigação.

O ministro da Defesa na época, Nelson Jobim, declarou que a condenação não tinha efeito prático, já que o Supremo Tribunal Federal já havia se posicionado sobre o assunto. Em 2012, a Corte voltou a cobrar que o Brasil localizasse e identificasse os restos mortais dos guerrilheiros. Em resposta, os ministérios da Defesa, Justiça e Direitos Humanos afirmaram que o governo estava empenhado nas buscas.

 
Custos de processos

Sobre a possibilidade de as investigações da comissão subsidiarem eventuais processos na Justiça, Pinheiro disse que isso ocorreu em todos os países onde órgãos similares foram formados. “Investigações servem para a responsabilização de criminosos.”

 Fonte- Agência Estado

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‘Não há direito à verdade sem direito à justiça’, diz membro da Comissão da Verdade

'A questão determinante para o golpe foi o interesse dos Estados Unidos em que houvesse outro tipo de governo no Brasil' (Foto: Marcelo Camargo/ABr)

‘A questão determinante para o golpe foi o interesse dos Estados Unidos em que houvesse outro tipo de governo no Brasil’ (Foto: Marcelo Camargo/ABr)

Rosa Cardoso explica à RBA que primeiro ano de trabalho da CNV serviu para definir metodologias e construir consensos básicos no grupo: ‘vamos publicizar cada vez mais nossas investigações’

Por: Tadeu Breda, da Rede Brasil Atual

Publicado em 29/04/2013, 10:07

Última atualização às 10:38

‘A questão determinante para o golpe foi o interesse dos Estados Unidos em que houvesse outro tipo de governo no Brasil’ (Foto: Marcelo Camargo/ABr)

São Paulo – A Comissão Nacional da Verdade (CNV) chega à metade de sua trajetória no próximo 16 de maio com poucos resultados concretos, mas com a certeza de que não pode existir reparação da verdade histórica sem que haja justiça para as vítimas das graves violações aos direitos humanos cometidas durante a ditadura. E punição aos responsáveis.

“Nas sociedades civilizadas e democráticas, o direito à verdade é indissociável do direito à justiça”, explica Maria Rosa Cardoso da Cunha, advogada de presos políticos durante o regime e atualmente coordenadora-substituta da CNV. “Esse primeiro ano serviu para definir metodologias, compreender melhor a natureza do trabalho e despertar para a importância da relação entre verdade e justiça.”

Em entrevista à RBA, Rosa Cardoso afirma que o avanço das investigações tem feito com que a CNV reavalie permanentemente suas escolhas e prioridades. “Estamos reorientando nossos trabalhos.” O debate constante já acabou com pelo menos uma divergência interna: de acordo com a advogada, agora é consenso entre os membros do grupo que os fatos mais relevantes descobertos pela comissão devem ser constantemente divulgados.

“Assim funcionaram as comissões que tiveram sucesso em outros países”, lembra a advogada, dizendo que estão dirimidas as diferenças entre os membros que pregavam maior sigilo e os que defendiam divulgação permanente das revelações. “Hoje sabemos que não devemos apenas colher muitos depoimentos, mas também dar-lhes publicidade. Esse é um consenso bastante recente, que só foi possível após uma avaliação do que produzimos até agora e após termos conhecido mais de perto outras experiências, como a argentina.”

Golpe

Rosa Cardoso é responsável por três grupos de trabalho dentro da CNV. E fala que tem conseguido avançar bastante em alguns temas – por vezes contrariando as pesquisas acadêmicas já realizadas sobre o período ditatorial, por outras reforçando indícios que já existiam. No caso das pesquisas sobre “Contextualização, fundamentos e razões do Golpe Civil-Militar de 1964”, a advogada se permite atestar que a participação dos Estados Unidos na ascensão dos coronéis foi muito maior do que se acredita.

“Foi um golpe imperial”, classifica. “Washington teve participação fundamental na queda do presidente constitucional, João Goulart, e alguns membros da sociedade civil brasileira também.” Rosa Cardoso afirma que, até então, dava-se muita ênfase ao papel dos militares na conspiração. A advogada nega que a maior motivação dos coronéis tenha sido uma suposta quebra de hierarquia dentro das forças armadas e o momento de “ativação política” vivido pelo país nos anos 1960. “A questão determinante foi o interesse dos Estados Unidos para que houvesse outro tipo de governo no Brasil.”

Daí que a participação do que Rosa denomina “elemento civil” tenha sido essencial para o sucesso do golpe. Essa certeza transformou as prioridades da CNV às vésperas de seu primeiro aniversário. “Entrou na ordem do dia agora a urgência de ouvir empresários.” Por isso, o grupo liderado pela advogada deve interrogar no final de maio o empresário Paulo Henrique Sawaya Filho, cujo nome foi encontrado no caderno que controlava a entrada e saída de pessoas no Departamento Estadual de Ordem Política e Social (Deops), braço da repressão em São Paulo.

Sawaya ainda teria participado da arrecadação de fundos para financiar o golpe em conjunto com Delfim Netto, que mais tarde se transformaria no guru econômico do regime. Delfim também deve ser ouvido pela CNV dentro dos próximos 40 dias. “Além de buscar recursos para a conspiração, foi uma figura muito representativa do governo ditatorial, definiu políticas públicas e assinou o Ato Institucional nº 5”, lembra Rosa Cardoso. “Seria importante que desse satisfações à sociedade brasileira.”

De acordo com a advogada, o ex-ministro da ditadura – hoje um dos maiores defensores da política econômica do governo do PT – será intimado a depor de uma maneira “muito polida, respeitosa e educada”. Caso não atenda o chamado da CNV, porém, Delfim poderá ser conduzido pela força ou então processado pelo Ministério Público por desobediência. “São os poderes que a lei nos dá”, pontua Rosa Cardoso. “Queremos que ele nos esclareça algumas questões relativas aos governos que se impuseram no país.”

Condor

A coordenadora-substituta da comissão também está encarregada das pesquisas sobre a Operação Condor, aliança clandestina entre as ditaduras sul-americanas para localização, sequestro e assassinato de perseguidos políticos. “Após uma viagem à Argentina, conseguimos 60 caixas de documentos com informações sobre a participação brasileira no convênio. Agora estamos aguardando a chegada desses arquivos”, conta. “Também estamos com pesquisadores trabalhando nos Arquivos do Terror, no Paraguai, levantando mais evidências sobre a Operação Condor.”

Apesar do longo caminho que ainda irá percorrer, o grupo já se sente confortável para afirmar que a ditadura brasileira foi protagonista na Operação Condor. “Estudos acadêmicos costumam dizer que o Brasil não foi tão importante na articulação internacional sul-americana, porque, quando a Condor foi oficialmente constituída, em 1975, o país já se encaminhava para a redemocratização”, contextualiza. “Mas sabemos que a preparação dos operativos, o apoio, a formação dos militares dos regimes vizinhos em solo brasileiro foram muito significativos para o funcionamento do acordo. A participação do Brasil foi discreta, mas efetiva.”

Outra certeza adquirida por Rosa Cardoso neste primeiro ano de trabalho na CNV diz respeito à tortura. “Os métodos violentos de interrogatório não se implantaram somente depois do AI-5, como muita gente defende”, explica. “É uma constatação que fazemos a partir da violência massiva que foi praticada desde os primeiros momentos do golpe. Houve prisões em estádios de futebol e navios da Marinha, como ocorreu em Niterói (RJ), Santos (SP) e Recife (PE), num número muito maior do que se imaginava, sempre com imposição de tortura.”

Os seis membros em exercício na CNV manterão encontro com a presidenta da república às vésperas do dia 16 de maio, em Brasília. Na ocasião, apresentarão a Dilma Rousseff os resultados do primeiro ano de trabalho. Também deverão discutir quê atitude tomar em relação ao ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Gilson Dipp, que faz parte do grupo mas está afastado há mais de sete meses por razões de saúde. Só depois da reunião com a presidenta é que a CNV apresentará ao país seu relatório parcial.

 

Fonte: Rede Brasil Atrual

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