Restos mortais de Neruda são exumados no Chile para perícia

Uma equipe de 12 peritos exumou na segunda-feira,8, em Isla Negra, a 120 quilômetros de Santiago, os restosneruda2 mortais  do poeta chileno Pablo Neruda, morto em 1973. Os peritos examinarão a causa da morte do poeta, pois há suspeita de que ele tenha sido envenenado.

Oficialmente, Neruda morreu em consequência de um câncer de próstata. Mas aliados e amigos desconfiam que o regime militar mandou matá-lo por sua oposição à ditadura. Ele morreu 12 dias após o golpe militar que derrubou o governo de Salvador Allende (1970-1973) e instaurou a ditadura do general Augusto Pinochet (1973-1990), então chefe das Forças Armadas.

A expectativa é que, em três meses, seja concluído o laudo sobre a morte do poeta. O trabalho dos peritos começou com a quebra da cripta à beira-mar na qual estavam os restos do chileno, Prêmio Nobel de Literatura (1971), ao lado da terceira mulher, Matilde Urrutia.

O trabalho foi supervisionado pelo juiz responsável pelo caso, Mario Carroza, além de advogados e especialistas forenses. Os restos mortais de Neruda serão levados para a sede do Serviço Médico-Legal do Chile, em Santiago. Na capital, serão feitos exames de radiologia, toxicologia e antropologia.

Há suspeitas de que Neruda tenha sido vítima de uma injeção letal, enquanto estava em tratamento médico na clínica privada Santa María, em Santiago. A pedido do Partido Comunista, ao qual pertencia o poeta, e de seu ex-motorista Manuel Araya foi aberto o processo de investigação sobre a causa da morte.

A Justiça chilena investiga também a morte, em 1982, do ex-chanceler chileno Eduardo Frei (1964-1970), que, como Neruda, morreu na Clínica Santa María, após uma operação de rotina.

Link permanente para este artigo: https://forumverdade.ufpr.br/blog/2013/04/09/restos-mortais-de-neruda-sao-exumados-no-chile-para-pericia/

Governo federal dará tratamento psicológico a vítimas da ditadura

Em meio às apurações da Comissão Nacional da Verdade, buscar no passado as lembranças de uma tortura ou violência sofrida por um agente do Estado pode ser uma situação dolorosa. Em muitos casos, reprimi-las é ainda mais problemático. Por isso, a  Comissão de Anistia do Ministério da Justiça vai investir 2,4 milhões de reais em um projeto de tratamento psicológico gratuito para pessoas que passaram por violências do Estado durante a ditadura.

Quatro entidades foram selecionadas para comandar o projeto-piloto “Clínicas do Testemunho”, que visa ampliar as reparações do Estado e construir uma política pública de saúde mental que possa ser usada em outras vítimas deste tipo de violência.“Esse projeto é muito importante, porque o Estado reconhece sua responsabilidade na prática de violência na ditadura e também o dano subjetivo causado às vítimas destes atos”, diz Moisés Rodrigues da Silva Júnior, presidente do Instituto Projetos Terapêuticos e coordenador voluntário do projeto.

As clínicas terão psiquiatras, psicólogos e psicanalistas para realizar um trabalho já desenvolvido em outros países da América Latina, como Argentina e Uruguai. Duas unidades ficarão em São Paulo, uma no Rio de Janeiro e outra em Porto Alegre. Há ainda um centro em Recife, patrocinado pelo governo de Pernambuco.

As entidades selecionadas d

Foto: AEsade

Foto: AEsade

arão apoio às vítimas e seus familiares, além de capacitar profissionais e colher informações que po

ssam ser usadas como referência em outros projetos. Ao todo, serão 702 vagas para atendimento individual e em grupos. Em São Paulo, serão 332 vagas, no Rio, 200, em Porto Alegre, 70, e no Recife, 100.

Segundo o MJ, qualquer anistiad

o político e seus familiares podem se inscrever no programa preenchendo uma ficha e enviando-a para o email clinicas.testemunho@mj.gov.br até 06 de abril.

O lançamento do programa ocorre em São Paulo, em 15 de abril, com eventos nos dias seguintes nas demais cidades.

Caso haja procura maior que as vagas, critérios de seleção como a gravidade da violação aos direitos humanos e a idade avançada do candidato serão avaliados. Os selecionados receberão, então, um número de inscrição

por email.

O projeto pode trazer ao debate casos de vítimas da ditadura sufocados pelo tempo e também evitar tragédias como a de Carlos Azevedo, filho do cientista político Dermi Azevedo, opositor do regime militar. Torturado com um ano e oito meses de idade por agentes da ditadura, ele desenvolveu fobia social, doença da qual nunca se recuperou. Recentemente, aos 37 anos, se suicidou.
Reprodução do MJ

“A tortura era para fazer falar e também calar pelo medo. E esse tipo de esquecimento forçado leva ao sofrimento”, conta Silva Júnior. “A possibilidade de levantar o problema após tantos anos traz um benefício direto, porque atendemos também as famílias, que sofrem com a transmissão deste trauma silenciado. Poder abordar isso é colocar uma sociedade de pé.”

Os selecionados poderão escolher uma das clínicas na lista (veja o quadro com nomes e endereços abaixo). Eles serão avaliados e encaminhados ao atendimento individual ou em grupo. Os núcleos funcionarão por até 24 meses.

A intenção é que a experi

ência se torne uma política pública e possa ser estendida a outros tipos de violência do Estado nos dias atuais. “Há populações imensas em periferias onde ocorrem genocídios de jovens pobres e negros, que são populações vulneráveis e vítimas de uma violência dirigida. O Estado e seu aparelho repressivo são violentos e a expectativa é responsabilizá-lo por estes atos.”

Veja o edital do projeto aqui.

Link permanente para este artigo: https://forumverdade.ufpr.br/blog/2013/04/09/governo-federal-dara-tratamento-psicologico-a-vitimas-da-ditadura/

Instalada a Comissão Estadual da Verdade

normal_comissao_da_verdade04

Governador Beto Richa, empossa os membros da Comissão Estadual da Verdade, ao lado da secretária da da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos, Maria Tereza Uille Gomes. Foto: Pedro Ribas/ANPr

O governador Beto Richa deu posse nesta quarta-feira (03/04) aos sete membros da Comissão Estadual da Verdade, que tem por finalidade examinar e esclarecer as violações de direitos humanos praticados no Paraná no período de 1946 a 1988, além de contribuir com a Comissão Nacional da Verdade, que receberá todas as informações coletadas no Paraná.Além do Paraná, apenas Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo instalaram uma comissão estadual com o propósito de apoiar o grupo nacional. A instituição da Comissão Estadual da Verdade foi proposta por lei aprovada pela Assembleia de Legislativa e sancionada no dia 28 de novembro de 2012.

A comissão funcionará no âmbito da Secretaria Estadual da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos, que prestará apoio administrativo às ações e atividades, que não terão caráter jurisdicional ou persecutório.

“Um grupo que tem toda condição de investigar e esclarecer todo tipo de abuso que tenha ocorrido naquele período. Dessa forma, o Paraná se mostra na vanguarda dos direitos humanos”, disse o governador.

Beto Richa lembrou do esforço do ex-governador José Richa na luta contra a ditadura militar. “Cresci vendo meu pai lutando pelas Diretas Já. Foi essa a formação que tive de caráter e vida pública. Faremos o possível para resgatar a história dos paranaenses”, afirmou.

EX-PRESOS – A secretária Maria Tereza Uille Gomes lembra que o Paraná foi o primeiro estado a abrir os arquivos públicos e a criar uma lei para indenizar ex-presos políticos ou suas famílias. “A Lei 11.255, de 21 de dezembro de 1995, que está em vigor até hoje, de autoria do então deputado estadual Beto Richa, e serviu de exemplo para muitos estados brasileiros”, destacou.

 

“A participação na Comissão Estadual da Verdade será considerada de serviço público relevante e honorífico pela concretização do Estado Democrático de Direitos e promoção dos Direitos Humanos no Paraná”, enfatizou a secretária. Segundo ela, a previsão de término dos trabalhos da Comissão Estadual é o mesmo fixado pela Comissão Nacional da Verdade: final do primeiro semestre de 2014.

 

Olympio de Sá Sotto Maior Neto, ex–procurador–geral de Justiça do Ministério Público do Paraná, agradeceu a confiança de participar da comissão e lembrou que o período que será analisado foi marcado pelo desrespeito de princípios básicos dos cidadãos. “Um período em que o Estado de Direito Democrático foi desrespeitado. Vamos agora resgatar a história para que erros como esse nunca mais ocorram”, afirmou.

 

Logo após a posse, os membros da comissão fizeram uma reunião para definir o calendário de atividades, que compreende a recepção de testemunhos, informações, dados e documentos que forem encaminhados voluntariamente, bem como o requerimento de informações, dados e documentos de órgãos e entidades do poder público classificados em qualquer grau de sigilo.

 

TESTEMUNHOS – Agora instalada, a comissão poderá também convocar, para entrevistas ou testemunho, pessoas que possam guardar qualquer relação com os fatos e circunstâncias examinados, garantindo anonimato aos que solicitarem; determinar a realização de perícias e diligências para coleta ou recuperação de informações, documentos e dados; promover audiências públicas; requisitar proteção aos órgãos públicos para qualquer pessoa que se encontre em situação de ameaça em razão de sua colaboração com a comissão e promover parcerias com órgãos e entidades, públicos ou privados, nacionais ou internacionais, para o intercâmbio de informações, dados e documentos.

 

A entidade atuará de forma articulada e integrada com os órgãos públicos, instituições e movimentos sociais, e especialmente com o Ministério Público Federal, Ministério Público do Paraná, Ordem dos Advogados do Brasil (seccional do Paraná), Fórum Paranaense de Resgate da Verdade, Memória e Justiça, Arquivo Público Nacional e Arquivo Público do Estado do Paraná, Comissão Nacional de Anistia, Universidades sediadas no Paraná, Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, Comissão de Direitos Humanos e Defesa do Consumidor da Assembleia Legislativa do Paraná, Grupo Tortura Nunca Mais – Paraná e Observatório para Resgate da Verdade, Memória e Justiça da Universidade Federal do Paraná.

 

MEMBROS – Ivete Maria Caribé da Rocha, advogada e integrante do Comitê de Refugiados do Paraná; Luiz Edson Fachin, jurista e professor de direito da UFPR; Marcio Mauri Kieller Gonçalves, bancário e vice–presidente da CUT no Paraná; Neide de Azevedo Lima, ex-presidente do Movimento Feminino pela Anistia; Olympio de Sá Sotto Maior Neto, ex–procurador–geral de Justiça do Ministério Público do Paraná; Pedro Bodê, professor do setor de Ciências Humanas da UFPR e especialista em violência; Vera Karan de Chueiri, professora e vice-diretora do Setor de Ciências Jurídica da UFPR.

Segundo os organizadores do Fórum Paranaense de Resgate da Verdade, Memória e Justiça, dos sete nomeados pelo governador para a comissão seis foram indicados pela instituição. Milton Alves, coordenador do Fórum, avaliou a relevância da comissão para resgate da história do Paraná. “O governador, numa demonstração de democracia e republicanismo, aceitou nossas indicações. Tenho certeza que esse grupo irá apurar todos as violações realizadas nesse período”, disse Alves.

O reitor da UFPR, Zaki Akel Sobrinho, também destacou o papel do Fórum Paranaense de Resgate da Verdade, Memória e Justiça, que com o apoio de mais de cinquenta entidades, conduziu o debate para trazer à tona a história sobre a ditadura militar. “A instalação da Comissão Estadual da Verdade é o resultado concreto de todo o trabalho do Fórum, iniciado há mais de um ano.”

Deputado cassado pela ditadura em 1969, Léo de Almeida Neves, contou que, apenas em 2009, teve acesso às motivações se sua prisão, detalhes que foram contados  no livro de sua autoria, “Segredos da Ditadura de 64”. Para ele, a comissão tem  de olhar os atos daqueles que cometeram atrocidades, e não às vítimas, já muito vitimizadas.

Além do deputado estadual Wilson Quinteiro, integrante da Comissão dos Direitos Humanos da Assembleia Legislativa, estiveram presentes na solenidade lideranças jurídicas e políticas.

Fonte – Fórum Verdade com informações da AEN.

Link permanente para este artigo: https://forumverdade.ufpr.br/blog/2013/04/03/instalada-a-comissao-estadual-da-verdade/

1964: O Golpe que começou com uma mentira

marciokUm golpe militar nunca terá apoio popular, justamente porque é golpe e não revolução. Nós cientistas sociais e também os historiadores e estudiosos dos períodos de exceção, podemos dizer bem melhor qual é a diferença entre um e outro.

Porém, o grande fato é que o golpe militar no Brasil já tinha contido em si a semente da mentira. Mentira em querer se passar por revolução, mentira em querer se apresentar somente como um golpe militar, escondendo sua faceta civil, que tinha todo apoio de muitos setores do empresariado e dos grandes latifundiários.

O golpe que de fato ganha as ruas no dia 1º de abril tem os papéis que o legitimaram assinados mentirosamente com a data do dia 31 de abril de 1964 para que não caísse em descrédito nos meios de comunicação. Primeira grande mentira.

Assim como muitas outras que perduraram durante todos os dias que duraram o regime de exceção, foram regados por sucessões de mentiras, de sonegação de informações, de coisas e fatos forjados para justificar que pessoas fossem tiradas do seu lar, dos seus lugares de convívios, dos seus locais de trabalho.

Essas mentiras, esses forjamentos de fatos, fizeram com que a vida de milhares de famílias em diversas partes do País tivessem suas rotinas reviradas pela ausência de seus mantenedores e mantenedoras, tiveram suas situação financeiras bagunçadas porque os que proviam o sustento foram violentamente tirados do seio familiar.

Interrompendo muitas carreiras, muitos sonhos, muitos projetos de vida que eram idealizados num Brasil que vinha num franco processo de crescimento econômico, resultado do nacional desenvolvimentismo das décadas anteriores, que se não fosse interrompido iria conduzir o Brasil para um processo de desenvolvimento sem precedentes para a época. Consolidando inclusive a possibilidade de mudança do Brasil no cenário geopolítico vigente. Claro que as ditas “forças ocultas” não permitiriam que o Brasil fosse autônomo e independente e ainda mais que pudesse estar perfilado em outro bloco geopolítico.

Portanto o dia 1º de abril, data verdadeira do golpe militar, deixou profundas e sérias cicatrizes na sociedade brasileira, muitas delas abertas até os dias de hoje, para muitas pessoas, para muitas famílias, para muitos estudantes, para muitos trabalhadores e trabalhadoras. Pois, colocou o País a mergulhar num mar de mentiras, de desaparecimentos forçados, de torturas descabidas e de mortes sem a menor explicação razoável.

E o pior de tudo é que uma ditadura quando não se sustenta de forma política com o resguardo das armas passa a ter as armas como sustentação. E foi o que aconteceu em 1968, quando a violência do golpe se aprofunda, a justiça falha que havia na época, que pelo menos dava endereço aos que eram tirados do aconchego dos seus lares e da responsabilidade de seus afazeres, acabou. A partir do Ato Institucional nº 5, o AI-5, a escuridão de informações estava instalada no Brasil, pessoas sumiam e ninguém sabia do paradeiro dessas pessoas, inclusive muitas delas até hoje ainda não se sabe o paradeiro ou que de fato aconteceu com elas. Mortos, desaparecidos, torturados, fichados de subversivos começaram a lotar as delegacias de ordem políticas e social os vulgarmente conhecidos DOPS. Foram impedidos de trabalhar, de frequentar os bancos escolares, de lecionar em escolas, faculdades e universidades.

Esse foi o resultado do Golpe da mentira, Pois a data oficial do golpe é o dia 1º de abril de 1964. Como dizem, foi uma mentira sustentada por 21 anos as custa de bravos lutadores do povo brasileiro que não deixaram que a mentira se tornassem verdade. Resistiram bravamente com a americanização de nosso continente. Ergueram sua voz para dizer que a violência não tem espaço nos regimes democraticamente constituídos.

E em nome desses heróis que se levantaram contra a mentira é que precisamos que se reestabeleça a verdade. Que possamos saber onde se encontram os restos mortais de homens e mulheres que ousaram ser contra o Golpe da Mentira. Precisamos restabelecer a verdade para que seus descendentes possam em paz exaltar suas memórias. Memórias que até hoje são impregnadas pela incerteza do que aconteceu. Precisamos restabelecer a dignidade para aqueles que sofreram perdas irreparáveis impostas pelo regime de exceção por suspeitas de ligação subversiva a que foram condenados. Precisamos contar a verdade sobre os supostos heróis de uma revolução que não aconteceu, pois era mentira, e na verdade foi um golpe. Golpe frontal e direto contra a democracia, contra o direito de escolha de um povo, contra sua vontade soberana de designar os rumos da construção do País onde trabalham, vivem e constituíram família.

A essas pessoas e a essas famílias o estado brasileiro deve desculpas pela violência cometida, pelos assassinatos cometidos, pelos 21 anos de intensas e repetidas mentiras sobre o que foi feito com aqueles que não cederam a grande mentira imposta aos brasileiros no dia 01 de abril de 1964.

Marcio Kieller é vice-presidente da CUT/PR,  Membro do Comissão Estadual da Verdade e diretor sindicato dos Bancários de Curitiba e Região

Link permanente para este artigo: https://forumverdade.ufpr.br/blog/2013/04/03/1964-o-golpe-que-comecou-com-uma-mentira/

Mulheres integraram ‘grupo de fogo’ da luta armada durante a ditadura militar

Uma nova frente de investigação das comissões empenhadas na reconstituição dos anos de chumbo está resgatando o papel das mulheres na luta armada e na resistência à ditadura militar. O que vem sendo revelado é bem diferente das versões historicamente difundidas pelos órgãos de repressão. Com 50 rostos e perfis a assombrar os remanescentes do regime, elas representam 28% dos 179 desaparecidos políticos listados pela Comissão da Verdade paulista e, entre todos os mortos e desaparecidos no período, são 11%. Militaram nas principais organizações (PC do B, ALN, VPR, Val-Palmares e MRT) e estiveram lado a lado com os homens em todo o movimento que marcou o período mais duro da resistência, entre 1968 e 1973. Elas são também responsáveis por lances que intrigaram a polícia da ditadura: a presença de uma falsa loura nas ações armadas.

Reprodução

Carta de militar estorquindo dinheiro e chantageando família de militante

A historiadora Maria Cláudia Badan Ribeiro, em pesquisa que amparou seu doutorado em história social na USP, jogou luzes na rede feminina que amparou a maior organização armada do período, a Ação Libertadora Nacional (ALN). Suas conclusões mostram que as mulheres cuidavam da organização de encontros clandestinos, levantavam informações para o planejamento de ações armadas, arranjavam documentos falsos, escondiam em “aparelhos” seguros os mais procurados, articulavam apoio internacional, editavam publicações (O Guerrilheiro, Ação e Venceremos) e participaram, sim, de ações armadas da pesada.

Dos 80 processos que analisou nos quatros anos e meio de pesquisa, Maria Cláudia listou 330 mulheres que atuaram na ALN, 261 delas, conforme registra o Arquivo Edgard Leuenroth, militantes presas, processadas, condenadas ou apontadas como suspeitas. Das 172 que foram julgadas e condenadas, 116 eram de São Paulo, 17 do Rio, 12 de Goiás, 10 do Ceará, 8 de Brasília, 5 do Pará, 3 de Pernambuco e uma de Minas. Outras 89 foram investigadas como suspeitas.

No grupo de fogo

No arquivo Brasil Nunca Mais, chamou a atenção da pesquisadora a expressiva presença feminina no total de processos relacionados às organizações: 67,7 %. Maria Cláudia entrevistou 43 mulheres que estiveram na linha de frente da guerrilha urbana e descobriu que destas quase um quarto pertenceu ao Grupo Tático Armado, o famoso GTA da ALN, por onde transitaram os guerrilheiros do grupo de fogo, o setor da guerrilha que executava assaltos e ações mais fortes.

Eram atividades que exigiam sangue frio e não distinguiam homens e mulheres de riscos e responsabilidades. Uma delas, Sônia Maria Ferreira Lima, acusada de participação num assalto a banco que terminou na morte de um segurança no Rio, virou alvo de um pedido de pena de morte, mas acabou denunciada e condenada à prisão perpétua. Sônia nunca foi presa. Quando o cerco apertou, exilou-se, só retornando ao País com a Anistia.

Arquivo pessoal

Historiadora mapeou a rede feminina que amparou a maior organização armada do período, a Ação Libertadora Nacional (ALN)

Nas ações mais pesadas da esquerda armada, há sempre a presença de mulheres. No Araguaia, por exemplo, entre os 88 guerrilheiros – 68 deles foram mortos – distribuídos pelo PC do B em três destacamentos, elas eram 19. A mais caçada foi a geóloga Dinalva Conceição Teixeira, a Dina, presa numa emboscada pelo major Curió (Sebastião Rodrigues de Moura) já no final da guerrilha, executada friamente dias depois e até hoje desaparecida. Virou lenda no Araguaia.

Na área urbana, algumas chamam a atenção pela variedade e peso das ações: Jessie Jane Vieira de Sousa estava no grupo que tentou sequestrar o avião Caravelle, da companhia aérea Cruzeiro do Sul, em 1970 no Galeão. Historiadora, atualmente é diretora do Arquivo Público do Rio; outra, Ana Miranda Bursztyn, participou do assalto às Lojas Mappin, em São Paulo, em cuja ação morreu um dos seguranças. Socióloga, integra a ONG Militante Coletivo RJ Memória, Verdade e Justiça; e, uma terceira da ALN, Maria do Amparo Araújo, que mergulharia por quase uma década na clandestinidade e chegou a ser dada como morta pelos órgãos de repressão. Ela participou da “expropriação” da Metalúrgica Mengels, no Rio. É hoje dirigente do Grupo Tortura Nunca Mais e assessora da Secretaria de Articulação Internacional do governo de Pernambuco.

A ala feminina do GTA da ALN contou ainda com outras sete mulheres: Ana Corbisier, que atualmente é tradutora; Guiomar Silva Lopes, médica e professora, que chegou a comandar um grupamento da ALN; Ilma Horst Noronha, diretora da Fiocruz; Maria Aparecida Costa, advogada; Maria Aparecida Santos, professora; Tania Fayal, fundadora e militante histórica do PDT, que até a última quarta-feira era assessora especial do gabinete do ministro do Trabalho e Emprego; e, Moema Santiago, ex-deputada e dirigente nacional do PSDB.

A loura dos assaltos

Reprodução

Aviso do grupo Falange Pátria Nova, uma organização de extrema direita

Elas são também responsáveis por lances que intrigaram a polícia da ditadura: a presença de uma falsa loura nas ações armadas. Há dezenas de informes nos arquivos da repressão e inúmeras citações em livros sobre a “loura dos assaltos”, personagem que atravessou os anos de chumbo como um mistério. Agora se sabe que “a loura dos assaltos”, na verdade, foram várias mulheres que militaram na esquerda armada.

Vladimir Herzog: Presidente da CBF pode esclarecer nova hipótese para morte

São Paulo: Registros revelam ligação de empresários e embaixada com o regime militar

Ivan Seixas: ‘Nasci na luta’, diz ex-preso político torturado ao lado do pai

A primeira surgiu em 1969. Foi Tania Fayal, na época uma jovem e bela morena de 19 anos, que usava uma peruca loura para confundir a polícia em ações de assaltos no Rio de Janeiro. Entre as primeiras está também Maria Aparecida Costa. Depois, a estratégia se proliferou no eixo Rio-São Paulo. Segundo Maria Cláudia, as louras apareceram também nas cabeças das guerrilheiras Renata Guerra (VPR), Vera Silvia Magalhães (MR-8), Ana Maria Nocinovic (ALN) e Maria do Carmo Brito (VPR), que foi comandante da hoje presidente da República, Dilma Rousseff, na primeira organização em que esta militou, a Política Operária (Polop).

“Era só um artifício. Loura era vista mais como estrangeira num Brasil predominantemente moreno. As militantes que tenho na memória eram morenas. Não havia à época os apliques que se faz hoje no cabelo. Compramos então perucas”, conta Tânia Fayal. Há poucos anos ela recusou o convite de um amigo, que queria contar sua história na luta armada pelo papel precursor das louras dos assaltos.

Sem choro ou vitimização

As ex-militantes são hoje pesquisadoras, assistentes sociais, sociólogas, jornalistas, economistas, médicas, biólogas, advogadas, economistas, funcionárias públicas ou militantes políticas, como Dilma Rousseff e a ministra Eleonora Menicucci, da Secretaria de Política para as Mulheres, companheiras de cela no antigo Presídio Tiradentes, em São Paulo. Lá ficaram recolhidas as condenadas que sobreviveram aos horrores da tortura, a geração de mulheres forjada nos anos de chumbo e que, sinal dos tempos, é hoje a nova fisionomia do poder.

“Precisávamos mesmo de Dilma para contar essa história. Não com pesar, mas com orgulho”, diz a historiadora Maria Cláudia ao ressaltar que as guerrilheiras sobreviventes nunca se encaixaram no papel de vítima nem de vencidas. Dilma, segundo ela, é um desses exemplos: foi perseguida, presa, torturada e deixou o cárcere de cabeça erguida, sem abrir informações que ameaçassem a vida de companheiros ou renegar as razões que a levaram a se rebelar. “São guerreiras. Aprenderam conter o choro e ir em frente”, diz a historiadora.

AE

A ministra Eleonora Menicucci ficou presa junto com Dilma em São Paulo durante a ditadura militar

Na sessão conjunta das Comissões da Verdade Nacional e Paulista, na última segunda-feira, a ministra Eleonora Menicucci foi escalada para homenagear Inês Etienne Romeu (VPR), também amiga de Dilma e outra militante que viveu a adrenalina dos confrontos (participou do sequestro do embaixador suíço Giovanni Enrico Bucher) e os horrores da tortura.

Única sobrevivente da Casa da Morte, como ficou conhecido o centro de tortura clandestino de Petrópolis, região serrana do Rio, cuja existência foi ela que denunciou, com a saúde debilitada, Inês vive atualmente em Niterói. Torturada, humilhada e estuprada na prisão, é quase um milagre que tenha sobrevivido. “As mulheres precisam ser lembradas e celebradas”, pontuou a ministra ao homenagear a amiga.

Inês não só abriu a série de denúncias contra a tortura no Brasil, como a primeira militante a alertar a esquerda sobre a traição de José Anselmo dos Santos, o cabo Anselmo. A informação foi passada por Maria Auxiliadora Brito aos banidos que estavam no Chile, mas acabou não sendo levada a sério por dirigentes como Onofre Pinto, que depois seriam mortos em emboscadas.

As estudantes que optaram pelo enfrentamento à ditadura, lembrou a ministra Eleonora Menecucci, “trocaram sonhos e juventude pela luta”. Ela explica, no entanto, que repetiriam tudo de novo. “Valeu a pena”, diz, acrescentando uma sugestão: “Sem a redescoberta do papel da mulher não se recupera a memória”.

 Fonte- IG

Link permanente para este artigo: https://forumverdade.ufpr.br/blog/2013/04/01/mada-duranmulheres-integraram-grupo-de-fogo-da-luta-arte-a-ditadura-militar/

Arquivos do Dops sobre a ditadura serão liberados na internet a partir desta segunda-feira

O Arquivo Público do Estado de São Paulo deixará disponível online, a partir da semana que vem, 274.105 fichas e 12.874 prontuários produzidos pelo Departamento de Ordem Política e Social, o Dops-SP (1923- 1983). O material, que equivale a cerca de 10% de todo o acervo, poderá ser acessado no site www.arquivoestado.sp.gov.br.
arquivodops2
O Dops paulista foi uma das principais centrais da repressão da ditadura militar (1964-1985), de onde o governo controlava e reprimia movimentos políticos contrários ao regime. O local foi palco de torturas e mortes.

“É apenas o começo. Continuamos o trabalho de digitalização e, nos próximos anos, iremos disponibilizar todo o material”, afirma o coordenador Carlos Bacellar. A divulgação oficial acontecerá em evento na segunda-feira no Arquivo Público do Estado de São Paulo, com a presença do governador Geraldo Alckmin (PSDB), palestra e mesa-redonda com especialistas.

O material publicado online facilita o acesso do cidadão à documentação do Estado – das fichas publicadas, boa parte é nominal, ou seja, fichas pessoais –, e ao mesmo tempo abre uma fonte de pesquisa a estudiosos, jornalistas e público em geral. Até agora, era preciso ir pessoalmente ao Arquivo do Estado, no centro paulistano, para consultar esses documentos. Entre os milhares de fichados, há muitas personalidades.

Acesse os livros com os registros de entrada e saída do departamento.

Volume 2 – 1º de fevereiro a 21 de março de 1972- http://migre.me/dTDiv

Volume 3 – 26 de outubro de 1973 a 22 de fevereiro de 1974 – http://migre.me/dTDj9

Volume 4 – 28 de fevereiro a 19 de junho de 1974 – http://migre.me/dTDjQ

Volume 5 – 25 de abril a 14 de junho de 1976 – http://migre.me/dTDkh

A digitalização e publicação do acervo do Dops foi uma decisão administrativa do Arquivo do Estado dentro do espírito da Lei Federal nº 12.527 – a Lei de Acesso à Informação –, e do Decreto Estadual nº 58.052, que a regulamenta. Guardiã do acervo do Dops – acessível fisicamente desde 1994 –, a instituição acredita que a internet é uma ferramenta para democratizar as informações. “O pesquisador não precisa se preocupar com horários de funcionamento ou mesmo se deslocar”, comenta o coordenador. “Facilita muito o processo.”

A Lei de Acesso à Informação removeu alguns dos principais obstáculos à consulta livre do Fundo Deops pela Internet. Logo no início do seu capítulo IV, que trata das restrições do acesso, ela estabelece que “as informações ou documentos que versem sobre condutas que impliquem violação dos direitos humanos praticada por agentes públicos ou a mando de autoridades públicas não poderão ser objeto de restrição de acesso”.

Sem obstáculos legais, a digitalização e publicação deste material foi possível graças a verbas provenientes de editais da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), do Projeto Marcas da Memória da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, e da Casa Civil da Presidência da República (projeto Memórias Reveladas).

Fonte- O Estado de S. Paulo

Link permanente para este artigo: https://forumverdade.ufpr.br/blog/2013/04/01/arquivos-do-dops-sobre-a-ditadura-serao-liberados-na-internet-a-partir-desta-segunda-feira/

Argentino acusado de ser torturador durante ditadura militar embarca de volta ao país natal

O argentino Claudio Vallejos, 54 anos — um dos principais torturadores da ditadura

Argentino Claudio Vallejos, 54 anos, era procurado da Interpol Foto: Cristiano Estrela / Agência RBS

Argentino Claudio Vallejos, 54 anos, era procurado da Interpol Foto: Cristiano Estrela / Agência RBS

militar de seu país e procurado da Interpol, a Polícia Internacional — embarcou para a Argentina, no Aeroporto Internacional Hercílio Luz, em Florianópolis, na madrugada desta quinta-feira. Ele foi acompanhado de agentes da Interpol.
Vallejos estava vivendo de forma clandestina no Oeste catarinense e agora, poderá ser julgado pelos crimes de tortura, homicídio, sequestro qualificado e desaparecimento forçado de pessoas, que cometeu entre 1976 e 1983, os anos de chumbo da Argentina.

Ao entregar um dos principais torturadores da ditadura militar argentina de volta às origens, a Justiça brasileira está colaborando com a tentativa do país vizinho em esclarecer um caso envolto em mistério de quase quatro décadas.

O mais emblemático deles vem do início da ditadura e envolve um brasileiro, então um célebre artista. Pianista de Vinícius de Moraes e Toquinho, Francisco Tenório Cerqueira Júnior, o Tenorinho, estava em Buenos Aires para uma turnê de shows com os companheiros, quando desapareceu misteriosamente em 1976. Nunca mais foi encontrado. Dez anos depois, em entrevista à revista Senhor, Vallejos admitiu ter participado da prisão do artista: era o motorista do carro do grupo que o sequestrou e, seis dias depois, o matou.

El Gordo, como ficou conhecido na época, também foi condenado no Brasil, onde buscou refúgio como foragido há 26 anos. Desde 4 de janeiro de 2012, estava preso por dois crimes de estelionato, nas cidades de Abelardo Luz e Quilombo – ambas no Oeste catarinense. Após se envolver em brigas no presídio de Xanxerê, ele foi levado para Lages, onde seguia detido até ontem à noite.

A entrega de Vallejos ao governo argentino foi um pedido do próprio país vizinho. Como ele estava preso no Brasil, a extradição precisou passar pela análise do Supremo Tribunal Federal (STF). O processo, que chegou a 301 páginas, levou quatro meses para ser estudado pela segunda turma do STF, até ser concedido, em 18 de setembro de 2012.

Seis meses depois, em 20 de março, o juiz da 1ª Vara Criminal de Lages, Geraldo Correa Bastos, liberou Vallejos para a extradição.

Quem é

Foragido da justiça argentina, Claudio Vallejos chegou ao Brasil em 1986.

No mesmo ano, admitiu à revista Senhor a participação na morte do pianista Tenorinho e outros civis durante a ditadura militar argentina. À época, ele integrava um grupo de tarefas da Escola de Mecânica da Marinha (Esma), onde conviveu com oficiais do porte do então tenente Alfredo Astiz, o Anjo Loiro, um dos mais temidos agentes da ditadura argentina, e o capitão de corveta Jorge Eduardo El Tigre Acosta.

À época dos anos de chumbo da Argentina, era militar do Exército argentino e atuava na Escola de Mecânica da Armada Argentina (ESMA), conhecido centro clandestino de detenção durante a ditadura.

Em 4 de julho de 1976, mesmo ano em que entrou para a marinha, Vallejos foi um dos motoristas que conduziram à Igreja de São Patrício, em Buenos Aires, um grupo de militares que assassinaram cinco sacerdotes palotinos. Seu envolvimento foi corroborado pelo testemunho do cabo da marinha argentina Miguel Balbi, em 1985.

Esteve preso desde janeiro de 2012 em SC, por crimes de estelionato no Oeste. Vallejos apresentava-se como jornalista e aplicava golpes envolvendo a venda de anúncios publicitários nunca publicados.

O sumiço de Tenorinho

O desaparecimento do pianista Francisco Tenório Cerqueira Júnior, o Tenorinho (foto), 35 anos, é mistério. Em 18 de março de 1976, foi levado por quatro homens que o abordaram em Buenos Aires.

Tenorinho estava na capital argentina para acompanhar Vinícius de Moraes e Toquinho. Ele havia saído do hotel para comprar cigarro e um remédio.

Em entrevistas dadas uma década depois, El Gordo disse que Tenorinho foi sequestrado por ter cabelo comprido e barba, um protótipo de esquerdistas.

Fonte- Diário Catarinense

Link permanente para este artigo: https://forumverdade.ufpr.br/blog/2013/04/01/argentino-acusado-de-ser-torturador-durante-ditadura-militar-embarca-de-volta-ao-pais-natal/

1º de abril: militares que resistiram ao golpe de 1964 relembram perseguição

Esquecidas durante décadas, as histórias de militares vítimas da ditadura (1964-1985) finalmente começam a aflorar. Seja pelas mãos da Comissão Nacional da Verdade, seja pela mobilização dos integrantes das Forças Armadas cassados pelo regime, um dos lados esquecidos dos anos de chumbo ganha rosto e forma.

Ao longo do governo autoritário, oficialmente, estima-se que tenham morrido 357 pessoas, mas familiares de vítimas afirmam que e

Ferro Costa vê com ceticismo o presente: "Às vezes, eu vou a uma reunião de turma e parece que estou em uma reunião dos republicanos do Tea Party" (Foto: Daniella Cambaúva. RBA)

Ferro Costa vê com ceticismo o presente: “Às vezes, eu vou a uma reunião de turma e parece que estou em uma reunião dos republicanos do Tea Party” (Foto: Daniella Cambaúva. RBA)

sse número chega a 426, e que pode aumentar em decorrência das investigações da Comissão da Verdade (CNV), instituída em maio de 2012.

Nesse balanço, falta contabilizar opositores presos, torturados e aqueles que foram obrigados a se exilar. Essa história, porém, não estará completa se não registrar membros das Forças Armadas que resistiram ao golpe e se recusaram a obedecer ordens de seus superiores. Considerados subversivos, foram demitidos e, em alguns casos, perseguidos.

Com a finalidade de apurar denúncias, a Comissão da Verdade criou o Grupo de Trabalho Perseguição a Militares. A equipe foi criada em outubro de 2012, após a tomada de depoimento do brigadeiro da Aeronáutica Rui Moreira Lima, preso três

vezes durante o regime. O grupo, liderado pelo pesquisador Cláudio Fonteles, prepara um trabalho grande sobre o tema, que será apresentado em abril.

Enquanto isso não ocorre, sobram histórias de militares que, assumindo uma postura totalmente contrária à dos golpistas de 1964, não se sujeitaram ao descumprimento da legalidade, às torturas e às mortes. No ano passado, a RBA recordou, no aniversário da derrubada do presidente constitucional João Goulart, a herança viva do regime, em uma série de reportagens que seguem atuais (sugere-se a leitura no box abaixo). Agora, aproveita a ocasião para dar voz àqueles que, depois de 49 anos, relembram o preço que tiveram de pagar por não aderir ao golpe. Nos próximos dias, serão cinco histórias. A começar pela de Paulo Henrique Ferro Costa, o homem “de sorte” que viu a “face da morte” e escapou.

Um homem de sorte

“Eu posso dizer que eu vi a face da morte. Aquela sala escura… Naquelas paredes, estava impregnado o grito de sangue de todos os torturados. E eu vi a face da morte ali. Eu me preparei para morrer. É horrível você morrer quando a natureza não programou aquele dia pra você”. Assim prossegue o relato de Paulo Henrique Ferro Costa, um dos membros da Marinha brasileira que resistiu ao golpe. Hoje aposentado, recebe a reportagem da RBA em sua casa em Niterói, rodeado por documentos. Solícito, tem a fala tranquila, co

m uma voz quase inaudível, sorrindo timidamente enquanto fala.

Conta, com riqueza de detalhes, diversos momentos de sua vida até que, por um instante, seus olhos azuis se desviam. Ele olha para frente, e a parede de sua sala parece levá-lo para as dependências do quartel da Polícia do Exército, na rua Barão de Mesquita, zona norte do Rio de Janeiro. Ali ele esteve durante sua última prisão, no mês de maio de 1970 – a mais dura, conta.
“Vivia com uma menina que se envolveu na luta armada. Eu não aprovava. Eles iam prendê-la. Em um golpe de sorte, ela conseguiu escapar. E eles me prenderam na suposição de que eu soubesse onde ela estava. Eles me torturaram barbaramente”, conta. “Ela conseguiu escapar. Felizmente”, conclui, aliviado.

Natural de Belém do Pará, Ferro Costa havia terminado a Escola Naval em 1961 e era segundo-tenente em 1964. Não concordava com o golpe, nem com a ditadura. Afirma ter entrado na Marinha por convicção “de luta contra o fascismo”, com intuito de ajudar o Brasil e também de ter uma boa profissão. “Eu não entrei para dar golpe”, diz.

Ferro Costa estava fazendo uma viagem de férias entre 31 de março e 1° de abril. A Marinha convocou a ele e outros que não haviam se apresentado im

ediatamente após o golpe. Ele conta que exercia papel de liderança junto aos marinheiros à época e tinha esperanças de uma possível resistência tanto por parte do presidente João Goulart, quanto de dentro das próprias Forças Armadas. “Dentro da Marinha, tivemos controle total. A esquadra toda estava nas nossas mãos, dos legalistas. Mesmo a cúpula militar sendo golpista, os navios não podiam sair porque os marinheiros não deixavam. Os oficiais que estavam no gabinete davam as ordens e a gente tinha o controle total, absoluto. O que aconteceu foi que o Jango não quis o enfrentamento. Ficou com receio de que essas coisas tivessem desdobramento”, afirma.

Em 12 de abril de 1964, foi levado ao Princesa Leopoldina, um transatlântico que manteve presos oficiais da Marinha, da Aeronáutica e do Exército. “Antes fui à casa de alguns colegas. Disse ‘você sabe que estou me apresentando, se acontecer

alguma coisa comigo, você sabe onde foi, quem foi’”. Era a primeira vez que ele entrava em um transatlântico. “As condições do navio eram suportáveis. A tortura eu não tive nos primeiros anos. Eu tive conhecimento dela em toda sua extensão no quartel da Barão de Mesquita.”

O próximo ato foi sua demissão da Marinha, em 19 de agosto. “Fui considerado morto, então, não tinha certidão de serviço militar. O decreto, inclu

sive, me considera morto”, diz, mostrando uma cópia do decreto expedido pelo Ministério da Marinha.

Foi preso novamente em 1965 e então condenado a cumprir 730 dias de prisão. Como já tinha ficado 257 dias na cadeia – 14 a mais do que o equivalente a um terço de sua pena –, foi solto. “Foi montado um inquérito contra mim

, mas eles não tinham provas. Colocaram lá um rapaz que não era da Marinha, que não tinha o curso da Escola Naval. E ele faz um depoimento contra mim, dizia que eu o havia convidado para participar de um plano de comunicação da Marinha, cujo primeiro item era a sublevação dos marinheiros e o segundo item era a chacina dos oficiais. Gravíssimo. Mas eu não o conhecia, ele montou essa história”, lembra, segurando nas mãos a cópia de quatro folhas de papel pautado, com um depoimento escrito à mão, sem assinatura.

Ficou em liberdade até 1970, quando foi levado para o quartel da Barão de Mesquita, um dos maiores centros de detenção clandestina da ditadura. Foi lá onde morreu o deputado Rubens Paiva, segundo concluiu recentemen

te a Comissão da Verdade. Ferro Costa atribui sua sobrevivência à sorte. “Quando eu estava preso, depois de ser torturado, chamaram um oficial da comunidade de informação da Marinha. Por sorte, esse oficial tinha sido meu comandante no Colégio Naval. Ele me viu, me olhou… E eu disse: ‘Olha, o curso que eu tenho é o mesmo que você tem, e eu não estudei no Colégio Naval para passar por isso’. E ele disse: ‘Vou te tirar daqui’. E tirou”.

Sua saída foi dramática. Ficou por mais de duas horas algemado no porta-malas de um furgão, rodando pela cidade, tentando respirar através de uma passagem de ar muito pequena. “Fiquei me desidratando. Quase desmaio ali.”  Depois, ficou em uma prisão no Ministério da Marinha, em uma cela de 4 palmos por 11. “Não tinha água. Sabe esses sanitários que você tem aquele deposito de água para dar descarga? É dali que você tirava água para beber.”

Depois de uma semana, foi para

a Base Naval da Ilha das Flores até que, mais uma vez, a sorte o favoreceu. “Minha família estava me procurando naquela angústia, porque as pessoas sumiam e ninguém sabia”. Foi quando seu pai telefonou ao Dops e, por coincidência, conversou com um general com quem havia servido o Exército e que era encarregado de seu inquérito. “E ele diz pro meu pai: ‘Seu filho vai sair amanhã’. Sou um homem de sorte. Estou vivo mais por sorte do que por outra coisa.”

Questionado sobre sequelas físicas, ele responde que não as teve, mas conta que jamais conseguiu esquecer aquele período. “Dizem que a memória deleta a dor, mas a memória não deleta a dor da tortura. Ela permanece com a pessoa até a morte. É muito difícil você esquecer o que você passou lá.”

Ferro Costa já foi chamado de comunista inúmeras vezes. Nega ter tido qualquer ligação com grupos de resistência à ditadura. “Eu tinha leituras”, resume. Entre seus autores, estavam Darcy Ribeiro, Celso Furtado. Se lia Marx? “Todo mundo lia. Era uma efervescência incrível”, responde.  “Mas o que me influenciava mais era [Franz] Kafka, [Jean-Paulo] Sartre.”
Não tão otimista em relação à Comissão da Verdade, acredita na necessidade apurar casos de prisões arbitrárias e torturas, mas principalmente de se aprofundar no contexto histórico do Brasil na década de 1960. “A Comissão da Verdade vai apurar casos emblemáticos, como o do Rubens Paiva, do Herzog. Mas e o enredo do golpe? É fundamental, que não havia possibilidade de se implantar no Brasil um regime comunista, que muita gente honesta foi perseguida.”

Essa avaliação que se faz, para Ferro Costa, se deve em parte ao modo como ocorreu o fim do regime. Segundo ele, o ato se resumiu a um acordo. A anistia, em sua opinião, veio tarde.

Depois de sair de sua última prisão em 1970, exilou-se em Paris. Voltou no final dos anos 1970, quando já se discutia a anistia – nome que ele critica, preferindo usar “reparação”. Fez três concursos e foi aprovado. Sua primeira opção era a Eletronorte. Seu passado fichado, no entanto, impediu que ele assumisse o cargo. Acabou indo para a Fundação Educacional, em Brasília.

“O que é mais grave é que a minha geração cristalizou essa verdade, de que os comunistas eram os verdadeiros inimigos do Brasil, e não a miséria e o atraso. Às vezes, eu vou em reunião de turma e parece que estou em uma reunião dos republicanos do Tea Party!”, conclui.

Fonte- Rede Brasil

Link permanente para este artigo: https://forumverdade.ufpr.br/blog/2013/04/01/1o-de-abril-militares-que-resistiram-ao-golpe-de-1964-relembram-perseguicao/

Operação Condor: novas revelações. Entrevista especial com Jair Krischke

Os novos documentos adquiridos pela Comissão da Verdade, ao investigar a Operação Condor, tendem a confirmar a hipótese de Jair Krischke: a Operação foi criada pelo Brasil e operava desde dezembro de 1970. Há mais de 40 anos dedicando-se à historiografia da ditadura militar, Krischke participou da audiência pública realizada pela Comissão da Verdade na última segunda-feira, 18-3-2013, em Porto Alegre, e apresentou novas provas da ação militar durante a ditadura brasileira. Entre elas, relata à IHU On-Line a entrevista que realizou com o único sobrevivente da Primeira Operação Condor. “A conversa com ele foi impressionante, porque eu tenho documentos que confirmam o que ele disse. Isso aconteceu em 1970 e ele tinha apenas 18 anos”.

Na entrevista a seguir, concedida por telefone, ele diz que novos documentos confirmam a atuação da Operação Condor depois da Anistia, e a hegemonia dos militares brasileiros na América Latina. “Os militares brasileiros, com essa postura hegemônica na região, nunca quiseram estabelecer ações coletivas com os militares de outros países; eles sempre preferiram a forma bilateral, tratando cada caso com cada país em sua particularidade. Outra característica brasileira era agir de forma a não deixar impressões digitais. Os militares agiam sempre com uma cautela extrema, nunca permitindo que se vislumbrasse a possibilidade de deixar marcas para depois acusar o Brasil”, assinala.

Formado em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS, Jair Krischke (foto abaixo) é ativista dos direitos humanos no Brasil, Argentina, Uruguai, Chile e Paraguai. Em 1979, fundou o Movimento de Justiça e Direitos Humanos do Rio Grande do Sul, a principal organização não governamental ligada aos direitos humanos da região sul do Brasil.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Quais são as novidades apontadas pela Comissão da Verdade em relação à Operação Condor?
jair
Jair Krischke – Nós avançamos no sentido de obter uma documentação nova. Em meu primeiro depoimento à Comissão da Verdade, em novembro do ano passado, sinalizava que o criador da Operação Condor foi o Brasil. Venho insistindo nessa posição há algum tempo e até fui insistente naquela intervenção, dizendo que não tenho vocação para colonizado.

Digo isso porque o belíssimo livro escrito por um jornalista norte-americano aponta que a Operação Condor foi criada em Santiago do Chile, numa reunião onde participaram os países do Cone Sul, em novembro de 1975. E eu digo que não. Já em dezembro de 1970, a Operação Condor agia no Brasil, com o nome de “Busca no exterior”. Quer dizer, de 1970 a 1975 ocorreu o que chamo de fase Condor “pagão”, porque o batismo aconteceu só em 1975. Temos documentos que provam perfeitamente o que eu estou afirmando. São documentos da repressão brasileira.

A segunda operação documentada é de 1971. Então, nos cabe também examinar o pensamento militar brasileiro, que sempre se impôs na América Latina, e só competia com a Argentina. Os militares brasileiros tratavam a Argentina de igual para igual, mas tinham uma postura de superioridade com os militares uruguaios, chilenos, paraguaios, bolivianos e peruanos, que vinham ao Brasil fazer os cursos de aperfeiçoamento.

Os militares brasileiros, com essa postura hegemônica na região, nunca quiseram estabelecer ações coletivas com os militares de outros países; eles sempre preferiram a forma bilateral, tratando cada caso com cada país em sua particularidade. Outra característica brasileira era agir de forma a não deixar impressões digitais. Os militares agiam sempre com uma cautela extrema, nunca permitindo que se vislumbrasse a possibilidade de deixar marcas para depois acusar o Brasil.

Mostrei que mesmo o Brasil tendo comparecido à reunião em Santiago do Chile, com dois representantes, os quais se disseram apenas observadores e não assinaram a ata, isso não significa que depois desse momento o país deixou de operar. Pelo contrário, continuou com parcerias muito claras.

Confirmou-se a atuação da Operação Condor em 1980, portanto, depois da Anistia. Um dos casos é de 12 de março de 1980, no Aeroporto Galeão, no Rio de Janeiro, onde, em parceria com a repressão argentina, dois argentinos foram retirados de um voo, levados para a Argentina e até hoje estão desaparecidos. Depois, em junho, quando da visita do Papa a Porto Alegre, duas pessoas foram sequestradas em Uruguaiana: o padre Jorge Oscar Artur e um jovem estudante de medicina, Lorenzo Ismael Viñas. Ainda há registro de um caso que ocorreu em 1989 no Rio de Janeiro. Diante desses casos, fica muito claro qual foi e qual tem sido a postura dos militares brasileiros.

IHU On-Line – Dados compilados pelo colegiado indicam que mais de 300 pessoas foram presas naquele período, dos quais 70 eram militantes de organizações de oposição ao regime militar. Como está o processo de identificação dessas pessoas?

Jair Krischke – Este processo foi encaminhado e está na fase final, de check-up, para que em seguida se possa tornada pública a lista dessas mais de 300 pessoas desaparecidas.

IHU On-Line – Como aconteceu o trabalho de investigação desse período da história? Além dos documentos que o senhor havia arrecadado, conseguiu mais alguma prova da operação Condor?

Jair Krischke – Iniciei a pesquisa da Operação Condor tratando de arquivos do Serviço Secreto. Como sabemos, os arquivos militares são fechados, e seguidamente os militares dizem que eles foram queimados. Essa é uma absoluta mentira, a qual consegui provar ao analisar os arquivos do Departamento de Ordem Política e Social – DOPS, do Rio Grande do Sul, que foi o único estado a declarar publicamente que havia queimado os arquivos. Provamos que esses arquivos foram microfilmados e se encontram hoje no Comando Militar do Sul.

Tenho dito – e não escuto falar sobre isso no Brasil – que seria necessário examinar os arquivos da Polícia Federal, porque ela também foi um braço da repressão, e estes arquivos existem e devem ser buscados.

Sobrevivente da Operação Condor

A novidade em relação à Operação Condor – a qual referi também à Comissão da Verdade – é uma entrevista que realizei, no dia 16 de janeiro de 2013, com o único sobrevivente da Primeira Operação Condor. Eu estive no Rio de Janeiro e tomei um longo depoimento dele. As vítimas da Operação Condor foram o coronel Jefferson Cardim de Alencar Osório, seu filho, também de nome Jefferson, e seu sobrinho. O coronel Jefferson faleceu, o sobrinho faleceu, mas o filho está vivo e mora no Rio de Janeiro. Eu o entrevistei longamente. Gravei a entrevista e a entreguei à Comissão Nacional da Verdade. Ele confirma e até amplia alguns detalhes que não estão no documento, e conta que só se salvaram porque o avião da Força Aérea Brasileira, que foi buscá-los em Buenos Aires, era um avião que serviu ao Ministro do Trabalho, Dr. Júlio Barata. Por estas coisas da vida, o Dr. Júlio Barata era casado com uma prima do coronel Jefferson, e salvou a vida deles.

IHU On-Line – O que ele relatou especificamente?

Jair Krischke – Ele confirmou a prisão e contou como foram presos: saíram de Montevidéu com a intenção de ir ao Chile juntar-se a outros brasileiros que lá estavam exilados. Mas, quando chegam ao porto de Buenos Aires, foram presos, levados pela Polícia Federal e passaram quatro dias sob tortura. Depois foram levados para o aeroporto, colocados no avião da Força Aérea Brasileira, onde também estava o então embaixador do Brasil na Argentina, Azeredo da Silveira, que depois veio a ser Ministro de Relações Exteriores. Eles foram entregues na base aérea do Aeroporto Galeão, onde ficaram presos por alguns meses e foram torturados.

A conversa com ele foi impressionante, porque eu tenho documentos que confirmam o que ele disse. Isso aconteceu em 1970 e ele tinha apenas 18 anos. Falei com ele 42 anos depois desse acontecimento. Ele mostrou documentos e chorou, porque quem passou as informações de onde eles estavam foi um espião infiltrado. Ele disse: “Esse cara vivia na nossa casa”. A informação que tenho é de que esse espião ainda está vivo, mas não posso te dar detalhes sobre o caso, porque ainda estou investigando e quero entrevistá-lo. Acertei com a Dra. Rosa Cardoso, que é encarregada da Operação Condor na Comissão Nacional da Verdade, que nós vamos procurá-lo, mas não quero agora alertá-lo.

IHU On-Line – A audiência que aconteceu na segunda-feira, 18-3-2013, além de tratar da Operação Condor, também retomou os debates sobre a morte do ex-presidente João Goulart, ainda hoje motivo de controvérsias. Quais os principais pontos dessa discussão?

Jair Krischke – Já em 2007 foi pedido ao Ministério Público Federal que investigasse a morte de João Goulart. De lá para cá, o pedido de investigação já foi arquivado duas vezes sob alegação de que é impossível investigar o caso. Mas agora ele foi reaberto com a novidade de que foi entregue, assinado e formalizado em documento à Comissão da Verdade, expressando o desejo da família de que seja feita a exumação do cadáver. Esse pedido faz algumas exigências, como a de que a equipe que fará os exames seja altamente qualificada, reconhecida nacional e internacionalmente, que disponha de equipamentos capazes de, transcorridos tantos anos, fazer uma pesquisa ampla. Segunda-feira nós falamos que a morte de Jango é suspeita, como a morte de Juscelino Kubitschek, como a morte de Carlos Lacerda. Eram três políticos brasileiros capazes de, num processo de transição, candidatarem-se e ganharem as eleições num processo de transição.

O acidente automobilístico que matou Juscelino nunca foi investigado seriamente. Carlos Lacerda estava gripado, foi a uma clínica tomar uma injeção para gripe e morreu. Portanto, são mortes suspeitas. Nesse período, houve vários assassinatos de políticos latino-americanos importantes, como no caso do Uruguai, de Zelmar Michelini, Héctor Gutiérrez Ruiz, na Bolívia, de Juan José Torres, no Chile, do general Carlos Prats e, na Argentina, de Orlando Letelier, assassinado em Washington. Por que houve esses assassinatos de políticos na região do Cone Sul? Havia um receio de todas as ditaduras da região de que, se os norte-americanos provocassem um processo de abertura, estes políticos seriam eleitos e os militares teriam de prestar contas, o que eles não estavam dispostos a fazer. Então, essas mortes são suspeitas como a morte de João Goulart. O certificado de óbito de João Goulart dizia “Causa mortis: enfermedad”. O médico que assinou o atestado de óbito era pediatra, e as autoridades militares impediram que fosse feita uma necropsia para determinar a causa da morte. E por que impediram?

IHU On-Line – Como será realizado esse processo de investigação? Será feito em tempo hábil pela Comissão da Verdade?

Jair Krischke – O prazo de exigência do trabalho da Comissão da Verdade termina em maio do ano que vem. Portanto, todo o processo de investigação da morte de João Goulart, com exumação, exames laboratoriais, só será concluído depois. Certamente a Comissão já terá entregado o seu relatório e não terá mais poderes para nada, porque terminou aquilo que lhe foi atribuído por lei. A Dra. Rosa Cardoso se comprometeu em investigar o caso, mas também quer compartilhar essa investigação com o Ministério Público Federal, porque encerrados os trabalhos da Comissão, se for necessário, a investigação vai seguir.
Para ler mais:

·  18/03/2013 – Comissão da Verdade gaúcha discute início da Operação Condor

·  26/09/2012 – Acervo da ONU reforça elo de países na Operação Condor

·  26/09/2012 – Comissão da Verdade se debruça sobre Operação Condor

·  06/08/2012 – Operação Condor trocou terra natal de crianças

·  14/04/2012 – A Operação Condor brasileira aterrissa na Itália

·  24/03/2012 – Vítima da Operação Condor

·  17/01/2012 – A participação de Itaipu na Operação Condor durante a ditadura

·  03/09/2010 – Relatos da Operação Condor

·  01/02/2008 – “Quem inaugurou a Operação Condor, quando sequer havia esse nome, foi o Brasil”. Entrevista especial com Jair Krischke

·  28/05/2007 – Operação Condor. A estrutura continua existindo. Entrevista especial com Neusa Maria Romanzini Pires

Fonte- Instituto Humanitas Unisinos

Link permanente para este artigo: https://forumverdade.ufpr.br/blog/2013/03/26/operacao-condor-novas-revelacoes-entrevista-especial-com-jair-krischke/

Subversivos. Crianças que foram presas e banidas do Brasil.

Subversivos. Acredite estas crianças foram  presas e banidas do Brasil.Mais de 40 anos depois, elas contam como sobreviveram.  Leia reportagem da revista Brasileiros.

capa_68

Link permanente para este artigo: https://forumverdade.ufpr.br/blog/2013/03/26/subversivos-criancas-que-foram-presas-e-banidas-do-brasil/

Carregar mais