Comissão da Verdade começa com polêmica sobre foco das investigações

Por André Gonçalves, Gazeta do Povo

O dilema entre concentrar esforços na investigação de agentes públicos que violaram direitos humanos ou ampliar o foco para militantes de movimentos armados contrários à ditadura militar (1964-1985) marca a instalação da Comissão da Verdade, que ocorre hoje em Brasília. Nos últimos dias, três dos sete integrantes do grupo escolhido pela presidente Dilma Rousseff se posicionaram favoráveis à primeira opção. A interpretação deles gera críticas de militares da reserva e esbarra no texto da Lei n.º 12.528/2011, que criou a comissão.

Em cerimônia na Escola de Políticas Públicas e Governo realizada na segunda-feira no Rio de Janeiro, a advogada Rosa Cardoso declarou que o “Brasil não está inventando” na maneira de conduzir os trabalhos. “Hoje tem 40 comissões no mundo. Essas comissões pretendem rever condutas de agentes público e é isso que fundamentalmente vamos rever: condutas de agentes públicos”, afirmou a jurista, que teve Dilma como cliente nos anos 1970.

A opinião é compartilhada pelo advogado e ex-ministro da Justiça José Carlos Dias. Já o diplomata Paulo Sérgio Pinheiro disse em entrevista ao jornal O Globo que a questão não pode ser transformada em um “Fla-Flu”. “Não tem essa história de dois lados, o outro lado [os militantes de movimentos armados] já foi suficientemente condenado, assassinado, desaparecido, etc. Isso não está em questão, o que está são os fatos que tiveram lugar no período”, citou Pinheiro.

Controvérsias

O alcance das investigações foi o tema mais controverso durante a tramitação da lei que criou a comissão no Congresso Nacional. Sancionado pela presidente em novembro do ano passado, o texto define em seu artigo 3.º os sete objetivos do grupo. Um deles é “identificar” estruturas relacionadas a violações de direitos humanos e suas “eventuais ramificações nos diversos aparelhos estatais e na sociedade”.

“A lei não limita a investigação a um ou outro lado, por isso essas interpretações dos membros da comissão me causam muita estranheza”, disse ontem à Gazeta do Povo o vice-presidente do Clube Militar do Rio de Janeiro, o general da reserva Clóvis Bandeira. O oficial foi um dos participantes de um debate comemorativo ao golpe de 1964 que acabou em confronto entre policiais e manifestantes de esquerda às portas do clube, em março.

Para Bandeira, a comissão tem um problema devido ao perfil dos indicados. “As nomeações causaram surpresa, por exemplo, por não ter nenhum historiador. Tem tanto advogado que mais parece um tribunal”, afirmou o general, que prevê o resultado da comissão como uma tentativa de “reconstrução” da história recente brasileira, baseada apenas na visão governamental. “Foi o que aconteceu na Venezuela e Argentina e não serve de modelo para o Brasil.”

Obstáculos
Pressões externas e período abrangido pela lei serão dificuldades

O ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil e integrante da Comissão Brasileira de Justiça e Paz, Marcelo Lavenère, defendeu as indicações feitas pela presidente Dilma Rousseff para a Comissão da Verdade. Na avaliação dele, os sete indicados são pessoas de preparo técnico “incontestável”. “Ainda assim, não vai ser um trabalho fácil. Sabemos das forças poderosas que querem manter esses fatos nas sombras”, opinou Lavenère.

Mais moderado,o cientista político e professor da Universidade de Brasília (UnB) Antonio Flávio Testa diz que há plenas condições de a comissão apurar desvios de ambos os lados. “Se houver registro, é necessário apurar.” Ele só vê problema no período abrangido pela lei, de 1946 a 1988. “Se for tudo isso para a pauta vai ter gente querendo discutir o suicídio do ex-presidente Getúlio Vargas, o que pode ser uma tentativa de esvaziar uma comissão que tem só dois anos para terminar.”

Testa também destaca que a comissão dificilmente vai acarretar punições, mas que a transparência vai levar conforto a pessoas que perderam familiares durante a repressão. “Só por isso já vale a pena.”

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Cerimônia de lançamento do Fórum no Teatro da Reitoria

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Mãos à obra, membros da Comissão da Verdade

Por Roberto Elias Salomão

A nomeação dos sete membros da Comissão Nacional da Verdade pela presidente Dilma Roussef, na última quinta-feira, tem enorme relevância política. A partir de agora, a Comissão terá um prazo de dois anos para investigar e esclarecer os crimes contra os direitos humanos ocorridos no Brasil entre 1946 e 1988, sendo que, de fato, o período em que esses crimes foram rotineira e sistematicamente cometidos sob a cobertura e patrocínio do Estado corresponde ao regime militar (1964-1985).

Os sete membros escolhidos são cidadãos de reconhecidas competência e seriedade, com um compromisso acima de qualquer suspeita na defesa dos direitos humanos. São eles o ministro do Superior Tribunal de Justiça Gilson Dipp, o ex-ministro da Justiça José Carlos Dias, o ex-procurador-geral da República Cláudio Fontelles, o embaixador e cientista político Paulo Sérgio Pinheiro, a psicanalista e escritora Maria Rita Kehl e os advogados Rosa Maria Cardoso da Cunha e José Paulo Cavalcanti Filho. Dentre eles, um será escolhido para presidir a Comissão.

Apesar da qualidade dos nomes indicados e para surpresa de ninguém, já há muita gente questionando a isenção do colegiado. Dizem que Maria Rita Kehl defendeu publicamente a punição dos torturadores e que Rosa Maria Cardoso da Cunha foi a advogada de Dilma Roussef no processo movido contra a então guerrilheira pela ditadura militar. Quanto a José Carlos Dias e Paulo Sérgio Pinheiro, sua conhecida trajetória em defesa dos direitos humanos os tornaria parciais…

Esse pessoal não tem jeito. Quem sabe com a presença de um representante dos torturadores, outro dos mandantes e mais um dos generais de pijama, a Comissão seria mais imparcial?

Deixemos de lado essas sandices. O que importa agora é o trabalho que a Comissão Nacional da Verdade irá desenvolver. O Brasil espera que a Comissão faça uso de suas atribuições e empregue todos os meios legitimamente conferidos a ela pelo Congresso Nacional para empreender uma devassa radical dos arquivos, estabelecendo a história real da violência que se praticou contra os direitos humanos no país. Com nomes e sobrenomes.

Não vai ser fácil, e a dificuldade não está no prazo de dois anos, mas sim nas pressões que a Comissão Nacional da Verdade inevitavelmente sofrerá. O pessoal do lado de lá ainda tem muita força.

Esta é a razão pela qual a Comissão Nacional da Verdade precisa do Fórum Paranaense de Resgate da Verdade, Memória e Justiça, precisa de muitos movimentos semelhantes ao nosso, espalhados por todo o país. Nós também sabemos pressionar, também sabemos criticar, também sabemos sair às ruas e exigir aquilo que acreditamos ser a vontade do povo brasileiro: a verdade e a justiça. Não temos o que esconder, a revelação dos fatos reais não nos afeta. Este é o nosso maior patrimônio.

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‘País tem direito de conhecer a verdade’, diz Cavalcanti Filho

Por G1 PE

“Me sinto um pouco assustado, mas com muita consciência de que é uma honra poder escrever um pedaço da história do país”. É com essa frase que o advogado recifense José Paulo Cavalcanti Filho, 63 anos, descreve o sentimento de ter sido escolhido pela presidente Dilma Rousseff como um dos integrantes da Comissão da Verdade, que vai apurar violações aos direitos humanos entre 1946 e 1988 – período que inclui a ditadura militar – e terá dois anos para produzir um relatório com conclusões e recomendações sobre os crimes cometidos.

Com o nome anunciado nesta quinta-feira (10), o pernambucano, próximo de completar idade nova, acredita que ganhou parabéns antecipados. “Embora digam que os 30 dias anteriores ao aniversário são o inferno zodiacal, estou considerando isso como um presente”, diz, entre risadas.

Em entrevista, Cavalcanti Filho conta que a comissão deverá trabalhar dentro do que foi proposto e aprovado pelo Congresso Nacional, na Lei 12.528, de 18 de novembro de 2011.

“O que a lei pretende é pôr uma pedra nessa transição, permitir que as mães possam enterrar seus mortos. O país tem direito de conhecer a verdade e o poder da comissão é o de descobrir a verdade histórica, se comportando dentro dos limites estritos dessa lei”, afirma.

Para ele, o papel da comissão será de coordenação. “Não temos poder de polícia, para quebrar sigilo e fazer diligências, mas podemos pedir a quebra de sigilos e a realização de diligências à Polícia Federal, por exemplo, se for o caso. Vamos querer contar com as estruturas que já existem. Temos a consciência de que municípios e estados, e Pernambuco se inclui nisso, estão formando suas comissões, então queremos coordenar isso também”, esclarece o advogado.

Para o pernambucano, integrar a Comissão da Verdade representa uma volta ao passado – e também a conclusão de um processo. “No primeiro ano da transição democrática, fui secretário geral do Ministério da Justiça e também ministro da Justiça, eu estava em Brasília entre 85 e 86. É curioso que, na hora em que vai se fechar esse ciclo, eu esteja de novo presente”, pontua.

Os demais integrantes da comissão são Gilson Dipp, ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ); José Carlos Dias, advogado e ex-ministro da Justiça; Rosa Maria Cardoso da Cunha, advogada; Cláudio Fonteles, ex-procurador-geral da República; Paulo Sérgio Pinheiro, sociólogo; e Maria Rita Kehl, psicanalista. Essa diversidade agrada a Cavalcanti Filho.

“A comissão é eclética, com pessoas com experiência jurídica e outras não, muita gente com uma experiência diversificada, não há nenhum que seja novato. Somos pessoas que já escrevemos sobre esse assunto, temos experiência sobre isso”, acredita.

A posse dos integrantes da Comissão da Verdade será na próxima quarta-feira (16), no Palácio do Planalto, com a presença dos quatro ex-presidentes – José Sarney, Fernando Collor, Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, que já confirmaram presença.

“É para que fique claro que é um ato de Estado e não desse governo apenas”, diz Cavalcanti Filho. Segundo o advogado, a primeira reunião formal, para aprovar regimento e definir quais os primeiros trabalhos, acontecerá no mesmo dia da posse. “Nenhum de nós tem direito de falar agora em nome da comissão. O que cada um de nós pode fazer é dizer que se sente honrado e com plena consciência da grandeza da missão que estamos assumindo”, encerra.

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Conheça os escolhidos de Dilma para compor a Comissão da Verdade

Priscilla Mendes Do G1, em Brasília

O Palácio do Planalto anunciou na quinta-feira (10) os sete integrantes  escolhidos pela presidente Dilma Rousseff para compor a Comissão da Verdade, que vai apurar violações aos direitos humanos entre 1946 e 1988 – período que inclui a ditadura militar – e terá dois anos para produzir um relatório com conclusões e recomendações sobre os crimes cometidos.

Veja abaixo um breve perfil de cada um dos integrantes, conforme biografia distribuída pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência. A posse será no dia 16 de maio.

Cláudio Fonteles foi procurador-geral da República de 2003 a 2005. Na década de 60, atuou em movimento estudantil ligado à esquerda católica. Atualmente, é membro do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, faz trabalhos de assistência social e estuda teologia.

Gilson Dipp é ministro Superior Tribunal de Justiça (STJ) desde 1998 e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) desde 2011. Foi corregedor-nacional de Justiça de 2008 a 2010 e preside a Comissão de Juristas com a finalidade de elaborar o anteprojeto do Código Penal.

José Carlos Dias é advogado criminalista e autor de dois livros de poesia. Foi ministro da Justiça entre 1999 e 2000, no governo FHC. Atualmente é conselheiro da Comissão Justiça e Paz de São Paulo e membro do conselho curador da Fundação Padre Anchieta.

José Paulo Cavalcanti Filho é advogado no Recife, escritor e consultor da Unesco e do Banco Mundial. Presidiu o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) entre 1985 e 1986 e foi ministro interino da Justiça no governo de José Sarney.

Maria Rita Kehl é psicanalista, ensaísta, crítica literária, poetisa e cronista. Durante o regime militar, foi editora do Jornal Movimento, jornal alternativo de contestação à ditadura. Em 2010, ganhou o Prêmio Jabuti de Literatura com o livro “O Tempo e o Cão”.

Paulo Sérgio de Moraes Sarmento Pinheiro é professor de Ciência Política, escritor e consultor. Foi secretário especial dos Direitos Humanos, no governo Fernando Henrique Cardoso, e relator do Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH) em suas duas primeiras versões em 1996 e 2002.

Rosa Maria Cardoso da Cunha é advogada criminalista, professora e escritora. No início da carreira, especializou-se na defesa de crimes políticos. Atuou também nas áreas de meio ambiente, mercado financeiro, direito do consumidor e crimes de imprensa.

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Dilma instala Comissão da Verdade; veja como órgão atuará

Da BBC Brasil em Brasília

Diretas Já. WikimediaCommonsA Comissão da Verdade não terá poder punitivo, já que segue valendo a Lei da Anistia

Após dois anos e meio de polêmicas e negociações, a presidente Dilma Rousseff nomeou nesta quinta-feira os integrantes da Comissão Nacional da Verdade, que pretende esclarecer violações de direitos humanos ocorridas entre 1946 e 1988.

Os membros da comissão serão sete:José Carlos Dias (ex-ministro da Justiça), Gilson Dipp (ministro do Superior Tribunal de Justiça), Rosa Maria Cardoso da Cunha (advogada), Cláudio Fonteles (ex-procurador-geral da República), Paulo Sérgio Pinheiro (diplomata), Maria Rita Kehl (psicanalista) e José Cavalcante Filho (jurista).

De acordo com o texto que criou a comissão, os critérios para a escolha dos membros deveria privilegiar pessoas “de reconhecida idoneidade e conduta ética, identificadas com a defesa da democracia e institucionalidade constitucional, bem como com o respeito aos direitos humanos”.

Segundo a Agência Brasil, o convite a cada um foi feito pessoalmente pela presidente, que recebeu os sete em audiências nesta quinta-feira no Palácio do Planalto. Ainda não há informações sobre quem presidirá o grupo.

Prevista no Programa Nacional de Direitos Humanos, assinado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em dezembro de 2009, a comissão busca trazer à tona a “verdade histórica” sobre o período e “promover a reconciliação nacional”.

A BBC Brasil preparou uma série de perguntas e respostas sobre como a comissão operará.

Quais serão as atribuições da Comissão da Verdade?

A comissão terá como finalidade “examinar e esclarecer as graves violações de direitos humanos” praticadas entre 1946 e 1988, “a fim de efetivar o direito à memória e à verdade histórica e promover a reconciliação nacional”.

Para isso, a comissão deverá analisar casos de torturas, mortes, desaparecimentos forçados, ocultação de cadáveres, ainda que ocorridos no exterior. Também deverá identificar e tornar públicos as estruturas, os locais, as instituições e as circunstâncias relacionados à prática de violações de direitos humanos, assim como suas eventuais ramificações nos aparelhos estatais e na sociedade.

A comissão deverá ainda encaminhar aos órgãos públicos competentes todas as informações que possam auxiliar na localização e identificação de corpos e restos mortais dos 140 desaparecidos políticos do período.

Deputada Manuela d'Avila e ministra Maria do Rosário. ABrO texto original foi alterado, aumentado o período de investigação dos crimes até 1946

A Comissão terá o poder de punir ou recomendar que acusados de violações sejam punidos?

Não. Em abril de 2010, instado por ação da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), o Supremo Tribunal Federal decidiu por sete votos a dois que a Lei da Anistia, de 1979, não deveria ser alterada para possibilitar a responsabilização penal dos indivíduos envolvidos em crimes como a tortura
– ou como em ataques terroristas, no caso dos adeptos da luta armada.

A decisão enterrou a possibilidade de que a Comissão da Verdade tivesse qualquer poder punitivo.

Como a comissão atuará?

Os integrantes terão acesso a todos os arquivos do poder público sobre o período e poderão convocar vítimas ou acusados de violações para depoimentos, ainda que convocação não tenha caráter obrigatório.

Ao fim de dois anos, prazo de atuação do grupo, a comissão poderá publicar um relatório com seus principais achados.

O grupo não terá, todavia, a obrigação de divulgar tudo o que descobrir.
Caso elabore uma lista com nomes de torturadores, por exemplo, a comissão pode optar por encaminhá-la somente à presidente e ao ministro da Defesa.

Quais as principais críticas à comissão?

Desaparecidos argentinos. WikimediaCommonsNa Argentina, ex-presidentes militares foram julgados e presos pelo desaparecimento de civis

Ativistas que defendem a investigação de crimes cometidos durante a ditadura afirmam que, sem o poder de punir, a comissão não colaborá para que se faça justiça.

Dizem ainda que o longo período contemplado pela comissão impedirá uma análise aprofundada da época em que houve mais violações, a ditadura militar.

Já alguns militares e policiais temem que o grupo não dê o devido peso aos crimes cometidos por organizações esquerdistas e se queixam por não terem representantes na comissão.

Eles ainda afirmam que os trabalhos podem “reabrir feridas” na sociedade brasileira.

Para alguns analistas, a comissão disporá de prazo muito curto (dois anos) e terá poucos integrantes para concluir seu trabalho de forma satisfatória.

O modelo já foi testado em outros países?

Sim. Segundo pesquisa de Simone Rodrigues Pinto, professora da Universidade de Brasília, desde 1974, mais de 20 comissões semelhantes foram criadas no mundo todo. Na África do Sul, a comissão ajudou a esclarecer violações de direitos humanos ocorridas sob o regime do apartheid.

Também foram instaladas comissões em nações sul-americanas como Argentina, Chile e Peru – nesses países, no entanto, alguns militares, policiais e até ex-presidentes foram presos após os trabalhos.

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Ministra dos Direitos Humanos visita a UFPR

A UFPR recebeu na manhã da segunda-feira,  7, a visita da ministra da Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República, Maria do Rosário. Recebida pelo reitor Zaki Akel Sobrinho e pelo vice-reitor Rogério Mulinari, além de diversas autoridades, ela foi apresentada ao projeto do Fórum Paranaense de Resgate da Verdade, Memória e Justiça, que teve em abril seu primeiro evento, na própria universidade . Estiveram presentes  no encontro, realizado no Gabinete do Reitor, representantes do Ministério Público, de sindicados, partidos políticos, setores da universidade e centros acadêmicos.

Segundo o reitor, o encontro foi agendado para posicionar a ministra sobre o andamento do Fórum, o qual deve lançar ainda em maio um portal próprio.  “ O Fórum é um movimento para resgatar a memória do período da ditadura, defender o acesso às informações e à revisão histórica para que fatos como esses não se repitam.  A UFPR aglutinou  e foi anfitriã das várias forças da sociedade civil, governos nacional, estadual e municipal, centrais sindicais que se uniram em torno dessa ideia.  O próximo passo é a interiorização do Fórum, com reuniões em várias cidades paranaenses”, explicou o reitor. Também no contexto do Fórum será criado um observatório para monitorar as questões que envolvem Direitos Humanos no Paraná.

A ministra Maria do Rosário destacou a iniciativa da Universidade, que atenta às questões fora de seus muros, assume o papel de servir a sociedade e produzir a reflexão sobre a realidade. “Vivemos um encontro de gerações, em que a juventude se levanta para reivindicar o direito de saber a verdade que nos foi negada durante a ditadura. Essa, não só aniquila os adversários em seu período histórico, como tem a pretensão de permenecer no inconsciente ao aniquilar a memória de um período. O Brasil vive esse momento com dignidade”, disse ela.  Maria do Rosário apontou a relevância de duas ações realizadas em novembro último, com a sanção da Lei Geral de Acesso às Informações e a criação da Comissão da Verdade, que terá no Fórum Paranaense seu braço regional.

Além do material de divulgação e o projeto do Fórum, a ministra Maria do Rosário recebeu  um vídeo feito pela UFPR TV contextualizando o período de instalação da ditadura, a resistência civil e o movimento pela redemocratização do País.

Fonte-UFPR

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Ditadura promoveu queima de arquivo em série, diz Guerra

Tales Faria e Wilson Lima, iG Brasília |

 

Durante a abertura política no Brasil, a ditadura militar promoveu uma “grande queima de arquivo” comandada por líderes do regime com receio de que no futuro algumas execuções de integrantes da esquerda fossem denunciadas publicamente. A informação é do ex-delegado Departamento de Ordem Político Social (DOPS) do Espírito Santo, Cláudio Guerra, no livro “Memórias de uma guerra suja”, cuja primeira cópia foi obtida com exclusividade pelo iG.

No livro, Guerra aponta pelo menos dois assassinatos com esse objetivo: um do tenente Odilon Carlos de Souza, especialista em explosivos, supostamente autor do atentado ao bicheiro Jonathas Bularmarques de Souza, em 5 de agosto de 1982. A outra vítima do processo de queima de arquivo teria sido o símbolo da linha-dura do regime militar, o delegado Sérgio Paranhos Fleury – titular da Delegacia de Investigações Criminais (DEIC) de São Paulo. Guerra admite participação nos dois assassinatos.

Segundo Guerra, essa queima de arquivo em série foi “comandada por militares, que temiam que seus crimes fossem revelados”. “Era consenso entre o comando sobre a necessidade de aparar arestas, de eliminar pessoas que causariam risco ao Exército, à Marinha e à Aeronáutica”, afirma Guerra no livro. “Quando o SNI (Serviço Nacional de Informações) começou a se desmantelar por conta da abertura política, houve uma série de assassinatos de pessoas que serviam ao regime”, revela.

Essa é a primeira vez que se cogita a possibilidade de atentados contra os próprios militares para preservar o sigilo de atos cometidos pela ditadura. No ano passado, por exemplo, o então ministro da Defesa, Nelson Jobim, causou polêmica ao afirmar que documentos comprobatórios de atos contra os direitos humanos foram queimados pelos militares. “Não há documentos. Nós já levantamos os documentos todos, não tem. Os documentos já desapareceram. Já foram consumidos à época”, disse o ministro em junho do ano passado.

Historiadores e defensores de direitos humanos afirmaram na semana passada, quando surgiram as primeiras informações sobre o livro “Memórias de uma guerra suja” que o depoimento do ex-delegado não pode ser desprezado. Guerra, inclusive, já se predispôs a confirmar as informações dadas no livro durante as investigações da Comissão da Verdade. A expectativa é que até o final deste mês a presidenta Dilma Rousseff (PT) divulgue os nomes que farão parte da comissão.

O idealizador da Comissão da Verdade e ex-ministro da Secretaria de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, por exemplo, classificou as revelações de Guerra como “chocantes” mas defendeu a checagem de alguns episódios narrados por Guerra. A mesma opinião é da historiadora Maria Aparecida Aquino, doutora em História Social pela Universidade de São Paulo (USP) com mais de 20 anos de estudos sobre a Ditadura Militar.

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Direito à Memória e à Verdade é tema de exposição na UFPR

A exposição “Direito à Memória e à Verdade” ─ a ditadura militar no Brasil de 1964 a 1985 ─ está aberta ao público, desde terça-feira (24), no hall de entrada do Prédio Histórico da Universidade Federal do Paraná. São 22 painéis que mostram a passagem do período militar nos 21 anos de ditadura. A exposição é organizada pelo Fórum Paranaense de Resgate da Verdade, Memória e Justiça

Serviço: Exposição “Direito à Memória e à Verdade”.

Local: Hall do Prédio Histórico, Praça Santos Andrade.

Horário: 7h- 23h

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Ministra dos Direitos Humanos dialoga com o Fórum

7 de maio de 2012

Por Simone Meirelles

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Reunião apresentou o Fórum Verdade, Memória e JustiçaReunião apresentou o Fórum Verdade, Memória e Justiça

A UFPR recebeu na manhã da segunda-feira,  7, a visita da ministra da Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República, Maria do Rosário. Recebida pelo reitor Zaki Akel Sobrinho e pelo vice-reitor Rogério Mulinari, além de diversas autoridades, ela foi apresentada ao projeto do Fórum Paranaense de Resgate da Verdade, Memória e Justiça, que teve em abril seu primeiro evento, na própria universidade . Estiveram presentes  no encontro, realizado no Gabinete do Reitor, representantes do Ministério Público, de sindicados, partidos políticos, setores da universidade e centros acadêmicos.

Segundo o reitor, o encontro foi agendado para posicionar a ministra sobre o andamento do Fórum, o qual deve lançar ainda em maio um portal próprio.  “ O Fórum é um movimento para resgatar a memória do período da ditadura, defender o acesso às informações e à revisão histórica para que fatos como esses não se repitam.  A UFPR aglutinou  e foi anfitriã das várias forças da sociedade civil, governos nacional, estadual e municipal, centrais sindicais que se uniram em torno dessa ideia.  O próximo passo é a interiorização do Fórum, com reuniões em várias cidades paranaenses”, explicou o reitor. Também no contexto do Fórum será criado um observatório para monitorar as questões que envolvem Direitos Humanos no Paraná.

A ministra Maria do Rosário destacou a iniciativa da Universidade, que atenta às questões fora de seus muros, assume o papel de servir a sociedade e produzir a reflexão sobre a realidade. “Vivemos um encontro de gerações, em que a juventude se levanta para reivindicar o direito de saber a verdade que nos foi negada durante a ditadura. Essa, não só aniquila os adversários em seu período histórico, como tem a pretensão de permenecer no inconsciente ao aniquilar a memória de um período. O Brasil vive esse momento com dignidade”, disse ela.  Maria do Rosário apontou a relevância de duas ações realizadas em novembro último, com a sanção da Lei Geral de Acesso às Informações e a criação da Comissão da Verdade, que terá no Fórum Paranaense seu braço regional.

Além do material de divulgação e o projeto do Fórum, a ministra Maria do Rosário recebeu  um vídeo feito pela UFPR TV contextualizando o período de instalação da ditadura, a resistência civil e o movimento pela redemocratização do País.

Ministra Maria do Rosário e o reitor Zaki Akel SobrinhoMinistra Maria do Rosário e o reitor Zaki Akel Sobrinho

Veja a reportagem da UFPRTV:

http://200.17.241.76/content?vspace=1307&cid=20853002

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