Filme revela vida íntima de Marighella

“Um dia, faz 40 anos, eu estava indo com meu pai para a escola e ele disse: ‘Vou te contar um segredo: seu tio Carlos é o Carlos Marighella'”. Assim começa o documetário “Marighella”, de Isa Grinspum Ferraz, que terá sessão gratuita na quinta-feira,01, no Teatro da Reitoria, pela mostra Cinema pela Verdade.  Após o filme acontece um debate com o advogado  Claudio Ribeiro; o jornalista Roberto Salomão;  Elton  Bartz  da Fundação Cultural de Curitiba e a jornalista Elza de Oliveira

Em uma hora e 40 minutos, “Marighella” desfia a trajetória do ícone da esquerda brasileira que acabou baleado e morto dentro de um Fusca em 1969, em São Paulo.
Meio século da história do país pode ser contado a partir dos acontecimentos em sua vida: a gênese do comunismo baiano, mulato, do qual Jorge Amado era partidário; o conflito entre integralistas e comunistas; a legalização do Partidão; a clandestinidade; a frustração com Stálin; o golpe militar e, por fim, a luta armada.

Mas o que torna “Marighella” único é o olhar íntimo que só quem era de dentro da família seria capaz de documentar: “Tio Carlos era casado com tia Clara. Eles estavam sempre aparecendo e desaparecendo de casa. Era carinhoso, brincalhão, escrevia poemas pra gente. Nunca tinha associado o rosto dele aos cartazes de ‘Procura-se’ espalhados pela cidade”, continua a voz em off da própria Isa, que assina direção e roteiro do filme.
Marighella (à dir.) com a sobrinha Isa no ombro, ao lado da companheira Clara Charf e do resto da família Grinspum em 1962

“A ideia é desfazer o preconceito que até pouco tempo atrás havia contra meu tio. Era um nome amaldiçoado, sinônimo de horror. Além da vida clandestina e do ciclo de prisões e torturas, procuramos mostrar também o poeta, estudioso, amante de samba, praia e futebol, e acima de tudo o grande homem de ideias que ele foi”, diz Isa, socióloga formada na USP.
Na esteira da pesquisa que foi feita, surgiram algumas revelações. Clara Charf, companheira de Marighella de 1945 até sua morte, hoje aos 86, desenterrou uma pasta que pertencia a ele, na qual aparecem correspondências, mapas e esboços de ações guerrilheiras.

Marighella (à dir.) com a sobrinha Isa no ombro, ao lado da companheira Clara Charf e do resto da família Grinspum em 1962

Marighella (à dir.) com a sobrinha Isa no ombro, ao lado da companheira Clara Charf e do resto da família Grinspum em 1962

A produção também descobriu uma gravação de Marighella para a rádio Havana, de Cuba. Em sua fala tipicamente cadenciada, ele anuncia o rompimento com o Partido Comunista e a adesão à luta armada. Mesma época em que intelectuais europeus como o cineasta francês Jean-Luc Godard passam a enviar remessas de dinheiro em apoio à sua causa.

O filme ainda traz trilha sonora de Marco Antônio Guimarães e Mano Brown e depoimentos esclarecedores de militantes históricos, como o crítico literário Antonio Candido: “Marighella encarnava moral e psicologicamente o seu povo. Ele era pobre e não abandonou sua classe”.
Já a judia Clara enfrentaria resistência do pai ao assumir o relacionamento, no que acabou se transformando numa versão tropical de “Romeu e Julieta”. “Carlos era preto, comunista e gói (não judeu)”, lembra Clara, aos risos. “Mas era muito doce e, no fim, conquistou a todos.”
Fonte- Com Folha de S. Paulo

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A PM pode prender manifestante para averiguação? por Luiz Edson Fachin

 

A PM pode prender manifestante para averiguação?
NÃO
Excessos cometidos
Não é legal a detenção aleatória de manifestantes pela força policial. E é indisfarçável violação a direitos fundamentais a exposição promovida pela Polícia Militar na internet da imagem de cidadão detido.

O conjunto das ações repressivas da PM tem sido prova do colapso ético e jurídico vivenciado especialmente nos últimos episódios transcorridos no Rio de Janeiro e agora em protesto ocorrido na celebrada presença papal.

A prisão antes da condenação transitada em julgado somente se justifica se for eminentemente cautelar. Seja preventiva ou temporária, em qualquer hipótese, é necessária prévia ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente. Há a exceção da prisão em flagrante, mas somente se pode considerar como tal ocorrência típica aquela cuja execução esteja em andamento.

Participação em manifestação popular não é crime, ao revés é direito fundamental coerente com o Estado democrático de Direito.

A atuação da PM do Rio viola premissas básicas do estado de inocência. Essa condição pessoal impõe dever de consideração de inocente tanto ao juiz, quanto a todos, pessoas físicas ou entes públicos, inclusive os órgãos de persecução penal.

A abominável “prisão para averiguação”, além de absurdo jurídico, é uma reminiscência autoritária e faz do aparato policial uma afronta ao regime democrático.

A Constituição brasileira segue a mesma trilha da Convenção Americana sobre Direitos Humanos ao garantir a toda pessoa direito à liberdade e de não ser privada dessa liberdade física, salvo nas causas e nas condições previamente fixadas em lei. Não há crime nem pena sem lei que previamente defina o fato como criminoso, afirmação que se tornou cláusula pétrea da Constituição brasileira.

É criticável a atuação da PM do Rio de Janeiro ao promover prisões arbitrárias de manifestantes, bem como ao divulgar indevidamente imagens nas redes sociais. É abusiva essa prática de expor manifestantes pelo Twitter, Facebook e outros meios, pois os transforma em instrumentos nocivos e fomentadores de estigma, além de afrontar a presunção de inocência.

Tal divulgação é um desvio que se agrava quando praticado por órgão estatal, como se fez na página do Twitter da PMERJ. A publicação de imagem é reveladora de compreensão equivocada sobre os limites e o sentido institucional do emprego de mídias por entes estatais e ainda é desprezo pelos direitos básicos das pessoas.

Isso também se dá quando a autoridade política, no exercício administrativo de funções, passa a exigir de empresas de telefonia e de provedores de internet informações sobre participantes dos protestos.

Sem prévia autorização judicial, há notória violação da privacidade, razão provável da revisão determinada pelo governador Sérgio Cabral do decreto que continha tal ilegalidade. A proteção dos direitos da personalidade implica a vedação à exposição indevida e obsta iniciativas de obtenção não autorizada de dados pessoais.

Portanto, é igualmente ofensiva aos direitos da pessoa a exposição pública da imagem dos detidos pela PM e a busca direta de dados relativos a comunicações telefônicas e virtuais de investigados.

Os abusos cometidos devem ser rigorosamente apurados pela respectiva corregedoria e também pelo Ministério Público, que não podem nem devem se omitir. O sentimento cidadão é de ausência de punição como regra e de alguma punição como exceção.

Não se nega à PM, nos limites constitucionais, o uso controlado da força. Mas é preciso distinguir uso de abuso. O direito de opor-se integra essa diferença. É seu dever garantir –e não violar– tal direito.

LUIZ EDSON FACHIN, 55, é advogado, professor de direito da Universidade Federal do Paraná, professor visitante do King’s College (Londres) e presidente da Academia Paranaense de Letras Jurídicas. É membro da Comissão Estadual da Verdade.

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Um ano de Comissão da Verdade

 
O debate em torno da temática da ‘Memória, Verdade e Justiça’ (MVJ) vem ganhando especial destaque na recente conjuntura política do país. Fato emblemático é a instalação de uma comissão da verdade federal, bem como o

umano

utras em diferentes níveis (estaduais, municipais, vinculadas a sindicatos, universidades, etc.), um importante instrumento de fortalecimento democrático no contexto de justiça transicional.
Dedicando especial atenção aos processos políticos de fortalecimento democrático, pautando o monitoramento, a participação e a intervenção nos rumos das políticas públicas, , o ISER tem se inserido substancialmente na temática MVJ. Através de um projeto de acompanhamento e monitoramento dos trabalhos da Comissão Nacional da Verdade (CNV), o ISER acaba de lançar o relatório “Um Ano de Comissão da Verdade: Contribuições Críticas para o Debate Público”.
O documento apresenta informações sobre o primeiro ano (maio de 2012 a maio de 2013) de funcionamento da CNV: funcionament
Acesse o documento no link: http://www.iser.org.br/pdfs/II_relatorio_CNV_ISER_WEB_160713_ALT.pdfo interno, estrutura institucional, atividades, entre outras informações. Traz também análises críticas e valorativas sobre o processo político, construídas a partir de percepções próprias, enquanto ator partícipe deste cenário, e de grupos da sociedade civil consultados, como Comitês, Coletivos e Fóruns inseridos no debate de MVJ.

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As marcas da tortura, no filme “Eu me lembro”

O filme ‘Eu me lembro’, de Luiz Fernando Lobo, foi exibido nesta terça-feira, no Anfi100 da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba.  O filme faz parte da programação da eu me lembrosegunda sessão da Mostra Cinema pela Verdade. A mostra tem o objetivo de promover exibições de filmes seguidas de debates sobre o período da ditadura militar e seus desdobramentos, bem como a relação com as ditaduras contemporâneas do Cone Sul.

Participaram como debatedores estarão o ex-preso político e advogado Vitório Sorotiuk; o presidente do Tortura Nunca Mais e ex-preso político Narciso Pires e a advogada e jornalista Maria Letizia Abatte Soley, filha do militante paraguaio Aníbal Abbatte Soley, sequestrado em Foz do Iguaçu em 1974.

“Eu me Lembro” é um documentário sobre os cinco anos das Caravanas da Anistia e reconstrói a luta dos perseguidos por reparação, memória, verdade e justiça, com imagens de arquivo e de entrevistas em 94 minutos.

A mostra na UFPR será encerrada no próximo dia 1º de agosto, quinta-feira, com a exibição de “Marighella”, de Isa Grinspum Ferraz. Será no Teatro da Reitoria, às 19 horas.

Fonte-Fórum Verdade

 

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Bebê sequestrada e deixada em orfanato em 1974 pode ser filha de guerrilheiros

Lia Cecília da Silva Martins, uma microempresária que vive na cidade de Catalão, em Goiás, é o elo perdido que pode esclarecer um dos mais escabrosos crimes da ditadura militar: o desaparecimento forçado de bebês e crianças filhos de militantes do PCdoB fuzilados no Araguaia.

Sequestrada com poucos meses de idade e levada para um internato em Belém, no Pará, hoje aos 39 anos, Lia é um desses bebês cuja sobrevivência assusta os militares que tentaram eliminar todos os vestígios da guerrilha, sumindo inclusive com os órfãos do conflito. Há informações que levam ao desaparecimento de oito crianças pelas mãos de militares. Os indícios mais fortes rondam três casos.

A tia Sandra (esquerda) é a mais parecida com Lia, que reencontrou a família do pai morto em 2009

A tia Sandra (esquerda) é a mais parecida com Lia, que reencontrou a família do pai morto em 2009

Lia, o mais forte deles, ao ser entregue por dois homens que se apresentaram como autoridades (um como delegado e o outro como militar) ao orfanato Lar de Maria, um centro espírita no bairro São Brás, em Belém, em junho de 1974, tinha o corpo cravejado de picadas de mosquito e estava esquálida. A instituição, à época, era dirigida por um coronel do Exército, Oli de Castro, seu fundador.

Pelos fragmentos de história que chegam a Lia, antes a dupla teria tentado internar o bebê numa creche conhecida por Berço de Belém, da igreja católica, no mesmo bairro, mas as freiras que geriam a instituição não aceitaram o inusitado pedido.

A criança foi então deixada com o casal Sandoval e Eumélia Martins, que cuidavam do centro espírita e do orfanato, com a promessa de apanhá-la de volta. Nunca mais foram vistos. Afeiçoada ao bebê, Eumélia a registrou clandestinamente como filha do casal no dia 1º de julho de 1974 no cartório mais próximo.

Lia soube que havia sido adotada aos nove anos de idade, mas só em 2009 se interessou pela história ao ler uma reportagem publicada no jo

rnal O Estado de S. Paulo. Era o relato de um dos guias dos militares, José Maria Alves da Silva, o Zé Catingueiro, apontando a existência de “um bebê branco” retirado da mãe pelos militares e que poderia ser filho de um guerrilheiro.

“O relato tinha detalhes parecidos com os da minha vida. Decidi então entrar em contato com o jornal”, diz ela. Os episódios seguintes mudaram a vida de Lia e dos Castro, uma família cearense que há quase duas décadas andava atrás de vestígios do ex-es

tudante de farmácia e bioquímica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Antônio Teodoro de Castro, quadro do PCdoB, conhecido entre os militantes por Raul, desaparecido no Araguaia.

Um a um, ela foi conhecendo os oito irmãos de Raul. Primeiro a advogada Mercês, depois Maria Eliana, Paulo, Roberto, Vitória, Socorro, Laura e Sandr

a. Num restaurante em Brasília, onde se encontrava com Maria Eliana, veio a testemunhar um fato curioso: um amigo da família Castro foi ao encontro de Maria Eliana e, depois de um abraçá-la, estranhou o distanciamento de Lia: “poxa Sandra, você nem me cumprimentou”, disse, dirigindo-se a Lia, que reagiu com certa perplexidade. Lia é parecida com as irmãs do guerrilheiro, mas a semelhança mais notável é com Sandra, com a qual foi confundida em outras ocasiões.

Em 2010, Lia decidiu tirar a limpo sua história. Um primeiro teste, de comparação dos detalhes faciais com as tias tornaria desnecessário prosseguir a investigação, mas ela aceitou fazer um teste de DNA. O laudo apontou 90% de coincidências entre seu código genético e os de seis de seus tios. Os outros 10% poderiam ser eliminados se os restos mortais de Raul fossem encontrados.
“Não temos dúvida de que a Lia é filha de nosso irmão”, afirma Maria Eliana. Para confirmar oficialmente a paternidade, ela solicitou que a Comissão de Mortos e Desaparecidos da Secretaria Especial de Direitos Humanos (CMD-SEDH) faça o mesmo teste através do banco de sangue de familiares de desaparecidos.

O pedido, encaminhado numa petição de 24 páginas assinada pelo ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto e pela advogada Camila Gomes de Lima, ao qual o IG teve acesso com exclusividade, pode desvendar o último segredo da história de Lia.

Filha da guerrilha
“Gostaria de saber quem é minha mãe”, diz ela. “Me falaram que era estrangeira, que se incorporou à guerrilha e que fazia também observações sobre o movimento de pássaros”, afirma. A petição requer três informações: a função e legislação que rege o banco de sangue criado pela SEDH; o resultado dos exames de amostras de sangue deixados por Lia e seus prováveis tios; e, o mais importante, que os mesmos códigos de DNA sejam cruzados com os de familiares de 12 guerrilheiras desaparecidas que conviveram com Antônio Teodoro de Castro durante o período em que ele esteve no conflito, entre 1972 e final de 1974.

Existem muitas lendas sobre o “bebê branco” sequestrado pelos militares. A primeira, a de que seria filha de Raul com uma moça da região, conhecida por

Regina; a segunda, a de que seria resultado do romance do guerrilheiro com a tal estrangeira; e, por último, que seria filho de Raul com uma das militantes do PCdoB que morreram no Araguaia.
Arquivo pessoal
Mercês foi a primeira tia, irmã do pai guerrilheiro, que Lia conheceu

“É plausível que a Lia seja filha de Theó (com o guerrilheiro era chamado em família) com uma das guerrilheiras. Se não for, pelo menos desc

artaremos uma das hipóteses”, diz Eliana. “Nos relatos nada é exatamente preciso. Por isso é razoável que se faça o confronto com as guerrilheiras”, afirma a advogada Camila. Ela reclama da morosidade da CMD-SEDH

que, segundo afirma, tem adotado uma postura dúbia sobre casos do gênero. As amostras de sangue estão com o órgão há mais de um ano.

A jornalista Myrian Alves, que há duas décadas pesquisa a guerrilha, diz que diante da inconsistência das duas primeiras hipóteses, é mais provável que Lia seja filha de Raul com outra militante do PCdoB.

Porta da esperança

Maria Eliana conta que o coordenador CMD, Giles Gomes, justificou a inércia do governo argumentando que o caso é delicado por envolver a privacidade de familiares e sugeriu a alternativa de quem não quer incômodo: que as amostras sejam colhidas depois de uma negociação com parentes das guerrilheiras. A sugestão foi aceita.

Nunca deixei de buscar os meus pais verdadeiros. O que me contaram é que fui arrancada dos braços de minha mãe na prisão. Agora que sei quem é meu pai, um homem de caráter e idealista, vou ajudar a encontrá-lo. Quero dar a ele um enterro digno

O requerimento dos advogados é uma primeira tentativa de convencer o governo federal a cumprir sua obrigação, prevista na Constituição e nos tratados internacionais. O documento foi protocolado no dia 1º de abril, mas mesmo que a lei determin

e resposta em até cinco dias, até hoje a CMD não respondeu.

Caso a demora persista, a família de Raul pretende recorrer à mesma Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), da Oranização de Estdos Americanos (OEA), que já condenou o estado brasileiro por graves violações no caso da Guerrilha do Araguaia. Ela seguiria o precedente adotado num caso semelhante pela família Maria Mascarena Gelman, no Uruguai, que recorreu a CIDH e obrigou o governo de seu país a identificar seus pais.

Militares: Agentes duplos entram na mir

a da Comissão da Verdade de SP

Lia viveu por 30 anos o mistério de sua origem, mas só decidiu mergulhar mesmo na busca depois que seus pais adotivos morreram. Ela guardou segredo sobre os contatos com os prováveis tios por mais de um ano e só aceitou fazer o teste de DNA depois que Sandoval faleceu, em 2010, aos 89 anos. Antes, quando tinha 16, um dos seis irmãos da família adotiva, Paulo, chegou a sugerir que procurasse o apresentador Silvio Santos e levasse sua história para o quadro Porta da Esperança, do SBT. Desistiu ao perceber que Sandoval se sentira constrangido e inseguro.

Arrancada da mãe
“Meu pai adotivo me amou muito e tinha medo de me perder. Também o amo e decidi então que enquanto vivesse não tocaria no assunto. Mas nunca deixei de buscar os meus pais verdadeiros. O que me contaram é que fui arrancada dos braços de minha mãe na prisão. Agora que sei quem é meu pai, um homem de caráter e idealista, vou ajudar a encontrá-lo. Quero dar a ele um enterro digno”, diz.

Lia é uma mulher simples, mas sua visão de mundo é de uma objetividade e resignação raras para quem a vida não para de provocar os sobressaltos. Durante as buscas pelo pai verdadeiro, apaixonou-se pelo também microempresário Márcio Carneiro, dono de uma empresa de capacitação de recursos humanos em Catalão. Do casamento, nasceu Cecília, a neta do guerrilheiro que, por um daqueles golpes do destino, depois de uma luta paralela travada pel

o casal, faleceu de leucemia aos 14 meses de idade em 2011.

Ao seu tempo

“Minha história é forte, mas tenho preparo espiritual. Fui criada dentro de um centro espírita e sei que tudo vai acontecer no seu tempo” diz, resignada. “A Lia é um a dádiva”, afirma Maria Eliana, emocionada com as descobertas.
A busca pela mãe, mais uma luta, é um mosaico cujas peças já teriam sido juntadas ou descartadas se não fosse a negligência do Estado brasileiro e do PCdoB. A família encaminhou à SEDH uma lista de doze guerrilheiras que conviveram com Raul até este ser preso e fuzilado em 1974.

Não temos dúvida de que a Lia é filha de noss

o irmão.

O pedido prioriza os testes de DNA com familiares de cinco guerrilheiras: Sueli Yomiko Kanayama; Lucia Maria de Souza, conhecida por Sônia; Luiza Augusta Guarlippe, a Tuca; Dinalva Conceição Teixeira, a Dina – guerrilheira mais famosa do Araguaia –; e Telma Regina Cordeiro Correa, cujo apelido, Lia, por coincidência, foi um dos prenomes de batismo da órfã que chegou ao Lar de Maria.
Como segunda opção, foram incluídas na lista encaminhada a SEDH os nomes das guerrilheiras Maria Célia Corrêa, Helenira Rezende de Souza Nazareth, Jana Moroni Barroso e Walkiria Afonso da Costa, fuzilada em 25 de outubro de 1974, a última personagem da guerrilha capturada viva e executada pelos militares.

Os casos Osvaldão e Dina

O esclarecimento do caso Lia deve levar os familiares a pressionar pela busca de outras crianças desaparecidas no Araguaia. Um deles é conhecido

como o caso do “menino negro”, de três anos de idade, cujos relatos apontam para a possibilidade de tratar-se de mais um filho de Osvaldo Orlando da Costa, o Osvaldão, um militante de dois metros de altura, militar, engenheiro, lutador de boxe e o mais caçado dos guerrilheiros. Foi também o que mais laços – amorosos e de amizade – criou com os camponeses da região. Chegou lá em 1966 como dono de garimpo e mariscador (caçador que vende pele de animais) e, como Dina, faz parte das lendas do Araguaia.

O suposto filho de Osvaldo, segundo os moradores, teria sido retirado da mãe, Maria Castanheira, em Araguarina, e nunca mais foi visto. Da mesma cidade teriam sido levadas outras crianças, entre elas Lia. Abalada pela perseguição, Maria teria morrido “dos nervos”, segundo relato de camponeses. “José Reis, um dos oficiais que estiveram no comando da repressão no Araguaia me contou que o filho de Osvaldo foi adotado por um militar que o levou para Fortaleza”, conta jornalista Myrian Alves. O menino, segundo ela, chama-se Giovani e seu desapar

ecimento é amplamente conhecido na região.

O outro caso envolve Dina. Ao ser presa por Curió em julho de 1974, junto com Tuca, dizem os moradores, ela estava grávida e, antes de ser executada, teria dado a luz a uma menina. Os pesquisadores dizem que os casos dos bebês e crianças desapar

ecidas no Araguaia fazem parte de uma história oral, sem documentos de comprovação. Os rastros podem estar em orfanatos – como o de Belém –, destinos frequentes de órfãos de oponentes executados pelas Forças Armadas ao longo dos conflitos ocorridos no Brasil.

Fonte- Publicado originalmente em  http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2013-07-21/bebe-sequestrada-e-deixada-em-orfanato-em-1974-pode-ser-filha-de-guerrilheiros.html

 

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Filme ‘Eu me lembro’ na segunda sessão da Mostra Cinema pela Verdade em Curitiba

MELEMBROO filme ‘Eu me lembro’, de Luiz Fernando Lobo, será exibido nesta terça às 19h no Anficem da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em Curitiba.  O filme faz parte da programação da segunda sessão da Mostra Cinema pela Verdade,. De acordo com os  organizadores, a mostra foi criada com o objetivo de promover exibições de filmes seguidas de debates sobre o período da ditadura militar e seus desdobramentos, bem como a relação com as ditaduras contemporâneas do Cone Sul. Nesta sessão como debatedores estarão o ex-preso político e advogado, Vitório Sorotiuk; o presidente do Tortura Nunca Mais e ex-preso político, Narciso Pires e a advogada e jornalista Maria Letizia Abatte Soley, filha de Aníbal Abbatte Sole, sequestrado na Operação Condor em Foz do Iguaçu.

Eu me Lembro é um documentário sobre os cinco anos das caravanas da Anistia e reconstroi a luta dos perseguidos por reparação, memória, verdade e justiça com imagens de arquivo e de entrevistas em 94 minutos.

A Mostra Cinema pela Verdade foi contemplada pelo edital “Marcas da Memória”, da Comissão de Anistia, que visa à promoção de eventos e projetos com foco neste período marcante da história brasileira. Este ano foram selecionados para a exibição dois documentários sobre a ditadura no Brasil e dois filmes de ficção sobre o período da ditadura na Argentina e no Chile.Na próxima semana a sessão exibirá “Marighella”’, de Isa Grinspum Ferraz.

O Anficem da UFPR  fica  no prédio da Reitoria, R General Carneiro, 460.

Fonte- Ver

 

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Raimundo foi assassinado por contar o que sabia da guerrilha do Araguaia?

Em fins de junho de 2011 o ex-mateiro das forças armadas, um dos mais importantes rastejadores recrutados pela repressão política na invasão militar na região do Araguaia para debelar o movimento insurgente, organizado pelo clandestino Partido Comunista do Brasil (PCdoB), é morto estranhamente naquele distrito de Curionópolis (PA), depois da presença, naquelas cercanias, de Sebastião Curió que, sabidamente, junto a outros ex-agentes da repressão política, estiveram naquelas paragens com intentos obscuros.

O próprio ano de 2011 representou uma viragem fundamental nos trabalhos de investigação no sentido de localizar dezenas de desaparecidos políticos na Guerrilha do Araguaia (1972-1975), possível, sobretudo, pela corajosa sentença da Juíza Federal Solange Salgado que, depois de transitado e julgado, obrigou a União em fins de 2007 a localizar, identificar e esclarecer em que condições aqueles brasileiros, lutadores pelas liberdades públicas, foram assassinados e sofreram desaparecimentos forçados pelo estado terroristas dos generais.

Ocorre que o governo federal, para dar cabo à decisão judicial, criou o Grupo de Trabalho Tocantins (GTT), do Ministério da Defesa que, entre 2009 e 2010, percorreu a região realizando diversas escavações, mas com resultados bastante pífios. Em dois anos, uma ossada foi localizada, na região do Tabocão, em Brejo Grande do Araguaia (PA).

Em relatório de fechamento do ano de 2010, a representação do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) presente naquele esforço institucional já indicava que “(…) No curso da segunda expedição do Grupo de Trabalho Tocantins tomamos conhecimento, através de denúncia de (…) da presença de remanescentes da repressão ao movimento insurgente e que estariam fazendo ameaças contra ex-colaboradores das Forças Armadas na região do Araguaia para que os mesmos não subsidiem de informações o Grupo de Trabalho Tocantins no sentido de realizar com êxito a tarefa de localizar os desaparecidos políticos na Guerrilha do Araguaia. Em contato com (…) podemos perceber a angústia daquele trabalhador rural que foi barbaramente torturado naquele episódio da vida brasileira porque um de seus algozes, conhecido como ‘Doutor Marcos’ que junto com ‘Doutor Ivan’ estiveram na região do conflito na segunda metade do mês de junho de 2010 (…)”.

A viragem de 2011 ocorreu, sobretudo pelo ingresso, em tal empreendimento civilizatório, do Ministério da Justiça e da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, além da ampliação na presença de familiares de desaparecidos políticos e de instituições científicas ligadas ao tema. Criava-se, então, o Grupo de Trabalho Araguaia (GTA) em fins do primeiro semestre daquele ano, substituindo o moribundo GTT-MD.

O reforçamento institucional e da sociedade civil, agora perfilados no GTA, vai atuar severamente no curso das investigações com a convicção de que muitos dos despojos mortais dos desaparecidos políticos ainda se encontravam na própria região do conflito.

Tomamos a consciência, depois de muita bola fora como ensina o jargão do futebol, de que a grande maioria dos insurgentes araguaianos estava sepultada em cemitérios da região, como indigentes, o que revela um traço comum do modus-operandi da repressão política no Brasil, com relação aos desaparecimentos forçados.

Mas o intento, mais avançado, vai provocar reações de remanescentes da ditadura militar em nosso país.

Em ofício formulado à Polícia Federal de Marabá, em fins de março de 2011, o pesquisador Paulo Fonteles Filho sinaliza que “No nascedouro de 2011, nos dias 26 e 27 de fevereiro do corrente ano vim até Marabá para acompanhar (…) o encontro dos ex-soldados e ex-funcionários do INCRA que atuaram na repressão ao movimento insurgente das matas do Pará. (…) No encontro, tomamos ciência de que (…), ex-militar, motorista do Major Curió entre os anos de 1976-1983, também estava sendo ameaçado. Tais ameaças iniciaram-se em dezembro de 2010 depois que aquele ex-militar passou a colaborar com os trabalhos do GTT-MD. (…) Na reunião de fevereiro gravamos um extenso depoimento (…) onde, o mesmo, revela ter participado de uma macabra “operação-limpeza” em 1976 em diversas localidades na região do Araguaia. Disse, ainda, que o responsável pelas ameaças que vêm sofrendo é (…) do Major Sebastião Curió. (…) Em primeiro de março duas ligações anônimas são desferidas ao celular de (…), sempre em chamadas confidenciais. No dia seguinte, uma caminhonete peliculada, rondou de forma suspeita, insistentemente, nas imediações de sua casa em (…). No mesmo dia, dois de março, por volta das 12 horas, uma caminhonete cabine dupla, também peliculada, com quatro elementos estranhos parou em frente à casa de Sezostrys Alves da Costa, dirigente da Associação dos Torturados na Guerrilha do Araguaia, em São Domingos (…). Dias depois soubemos (…) que quem esteve circulando pela região, recentemente, é um tal de ‘Doutor Alceu’, ex-capitão do Exército, ligadíssimo ao Major Curió (…). Sabemos que nossas vidas (…) de camponeses e de ex-militares estão sob ameaça e se nada for feito, tenho certeza, um episódio ainda mais grave poderá ocorrer (…)”.

Diante do avanço no nível das informações, sobretudo pelo relato de ex-soldados que passaram a contribuir com o intento investigativo, algumas figuras silenciadas por quase quarenta anos põem-se a falar, seguramente estimuladas pela coragem de seus ex-companheiros como, também, pela determinação dos familiares daqueles heróis nacionais, como é o caso da incansável Diva Santana, irmã de Dinaelza Santana Coqueiro.

Nesse contexto é que Raimundo “Cacaúba” passa a contribuir com os esforços investigativos e presta importantes informações sobre os bastidores da famigerada atuação militar no Araguaia, verdadeira caçada humana onde dezenas de opositores políticos foram assassinados sob a custódia do exército brasileiro. Sabe-se hoje, com rigor documental, de que a liquidação física fora decidida dentro do próprio Palácio do Planalto, por Garrastazu Médici e Ernesto Geisel.

Recrutado pelo “Doutor Antônio”, comandante da base militar de São Raimundo, violentíssimo agente da repressão, foi atuar como rastejador nas cercanias da reserva dos Aikewára-Suruí em São Geraldo do Araguaia (PA), em meados de 1973. Tal “Doutor Antônio”, segundo o relato colhido, permanecera na região até janeiro de 1985 “procurando algum guerrilheiro sobrevivente”.

Mas “Cacaúba”, depois de anos silenciosos, informara que “no local conhecido por ‘Centrinho’, ao lado do Rio Sororozinho, conheceu ‘Zé Carlos’ (André Grabois), ‘Ivo’ (José Lima Piauhy Dourado) e ‘Joca’ (Líbero Giancarlo Castiglia), este ferido no braço”. Teria, também, conhecido “a ‘Valquíria’ (Walkiría Afonso Costa), moradora do São Raimundo que apareceu em sua casa acompanhada de ‘Joca’ depois do tiroteio com o ‘Juca’ (João Carlos Haas Sobrinho)”. Curiosa mesmo foi à informação de que “os meninos do mato se comunicavam com os moradores Antonio Monteiro (…), Luís Roque e Antonio Luís através de uma vara seca e uma vara verde”.

Dentre as revelações está que “a Valquiría, muito magra, foi presa na casa do ‘Zezinho’ e Maria ‘Fogoió’ e foi morta pelo Capitão Magno”. Tal militar, Magno, é muito citado pelas torturas perpetradas contra os camponeses e que teria sido um dos agentes que atuou, anos depois, na prisão dos padres franceses do Araguaia, Aristide Camio e Francisco Gouriou, no inicio dos anos de 1980.

A acusação era de que os religiosos promoviam a subversão e intentavam, junto com o advogado da Comissão Pastoral da Terra, Paulo Fonteles, novas guerrilhas e por isso foram enquadrados na Lei de Segurança Nacional (LSN). Anos depois, em 1987, o advogado Paulo Fonteles foi assassinado pelo latifúndio e o inquérito realizado indica participação de antigos agentes do Dops e do extinto Serviço Nacional de Informações (SNI), dentre eles James Sylvio de Vita Lopes, Romeu Tuma e Rubinete Nazaré.

Com destemor indicou que na região da “Abobóra” viu “o ‘Joca’ amarrado com embira (fibra extraída de algumas árvores e que serve para a fabricação de cordas), todo ‘obrado’ e muito machucado”. Teria presenciado o traslado do combatente, depois de morto, para a Base de Xambioá (TO) e de que lá fora sepultado. Citou que o “Amaury” (Paulo Roberto Pereira Marques) fora preso “com o pé baleado e o ‘Doutor Antunes’, da Base de São Raimundo, provocava-o perguntando se queria comer um mutum e que o ‘Ivo’ foi preso e vestia calça azul tropical”.

Revelou-nos, ainda, sobre os codinomes de agentes da repressão política, como é o caso dos doutores “Ivan”, ‘‘Maia”, “Molina” e “João”. O tal ‘‘Molina”, citou, “Não falava igual a nós”.

A coleta de todas essas informações ocorreu em maio de 2011 e pouco mais de um mês depois, em fins de junho, é assassinado estranhamente, dias depois que o Major Curió esteve na região, realizando reunião com aqueles que ainda lhes são fiéis.

Diante do fato, amplamente denunciado por nós, a Juíza Solange Salgado determinou, em dezembro de 2011, que a Polícia Federal realizasse investigação sobre prováveis ameaças e revelou, em entrevista à Folha de São Paulo, na edição do dia 6 de março de 2012, que “Essa questão do Araguaia está ficando muito preocupante, as ameaças são recorrentes, há indícios concretos” além do que “as pessoas que viveram naquele momento triste da história nacional e que hoje tentam colaborar com a Justiça estão sendo ameaçadas de morte”.

Recentemente, em 2013, tomamos conhecimento de que a Polícia Civil do Pará, responsável pelo inquérito, sequer abriu procedimento para apurar o assassinato de Raimundo “Cacaúba”, o que torna o caso cada vez mais singular.
araguaia
Em dois anos de investigações, entre 2011 e 2012, o Grupo de Trabalho Araguaia já exumou 14 ossadas, nos cemitérios de Xambioá (TO) e São Geraldo do Araguaia (PA) e há, para 2013, a expectativa de que possamos encontrar outros tantos desaparecidos políticos num dos mais importantes sítios mortuários de Marabá (PA), cuja indicação fora realizada por antigos colaboradores da repressão política.

Enquanto o Major Curió e outros ex-agentes do aparato repressivo estiverem à solta, outros assassinatos podem ocorrer, além das pressões e intimidações, própria de quem cometeu crimes de lesa-humanidade contra brasileiros que lutaram pelo restabelecimento das liberdades democráticas.

Não recuaremos.

Fonte – Viomundo/Por Paulo Fonteles Filho e Sezostrys Alves da Costa

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Rosa: Comissão da Verdade tem que se preocupar com a democracia

Coordenadora da Comissão Nacional da Verdade, Rosa Cardoso diz que possibilidade de volta do ex-ministro Claudio Fontelles, que renunciou ao cargo de presidente do grupo, “tem que ser avaliada” pela presidente Dilma e que tem que haver uma “descentralização grande” dos trabalhos; colocada como opositora de Paulo Sérgio Pinheiro, rosacardoso2Rosa diz que essa “não tem que ser uma comissão de notáveis”

A formação da Comissão Nacional da Verdade está rachada ao meio, com a coordenadora Rosa Cardoso de um lado, e de outro, o cientista político Paulo Sérgio Pinheiro, que tem três apoiadores. Com a saída do ex-ministro Cláudio Fontelles, que renunciou à presidência do grupo, Rosa ficou sozinha. Mas recebe o importante apoio das entidades em defesa dos direitos humanos e familiares de vítimas da ditadura militar (entenda o conflito).

Em uma entrevista concedida ao site Palavra Afiada, do jornalista Paulo Henrique Amorim, Rosa Cardoso comenta uma carta aberta divulgada por familiares e movimentos exigindo mudanças na Comissão, pedindo a volta de Fontelles e declarando apoio à coordenadora. Ela, por sua vez, diz que “jamais interpretaria isso como uma vitória minha, pessoal”. A advogada declara ainda na entrevista que essa “não tem que ser uma comissão de notáveis” e lembra que o dever é “que nós cumpramos esse trabalho, essa missão”.

Leia abaixo a íntegra da conversa:

Em entrevista concedida, por telefone, na noite dessa terça-feira (16), ao Conversa Afiada, Maria Rosa Cardoso, coordenadora da Comissão Nacional da Verdade, comentou a carta aberta de familiares de vítimas do regime militar, que pediam a reintegração de Claudio Fontelles.

Rosa Cardoso considera que a recondução de Fontelles deve ser apreciada o quanto antes pela presidente Dilma Rousseff.

Assim como a substituição do ministro Gilson Dipp, que se afastou da Comissão este ano por motivos de saúde.

Segundo Rosa Cardoso, a ausência de dois comissários prejudica muito o trabalho da Comissão.

Inclusive, a CNV, deve de agora em diante, se abrir a participação a agentes externos – que ela chama de “embaixadores”.

A seguir, a integra da entrevista:

1- PHA: Dra. Rosa, o jornal O Globo dessa terça-feira (16), publica uma carta aberta dos familiares de vítimas do regime militar pedindo que o dr. Cláudio Fontelles volte para Comissão da Verdade. Existe essa possibilidade?

Essa possibilidade tem que ser avaliada – e deve ser, eu imagino, rapidamente – pela Presidente da República.

Claro que nós sabemos que a Presidente teve que dar prioridade a revindicações mais amplas, feitas hoje pela sociedade brasileira através de um processo de manifestações sucessivas.

Eu acho que ela não pôde ainda refletir sobre a apresentação dessa renúncia do comissário Cláudio Fontelles. Mas creio que isso vai ser deliberado muito rapidamente por ela, agora nesse intervalo que nós estamos tendo hoje na sociedade com essas manifestações.

2 – PHA: Dra. Rosa, nós temos hoje duas vagas abertas, pelo menos do ponto de vista formal: a do dr. Fontelles e a do ministro Gilson Dipp. Embora haja outros comissários, que a gente sabe, são de frequência muito rara às reuniões da Comissão. Eu lhe pergunto: como é possível exercer esse trabalho com dois comissários a menos?

Rosa Cardoso: Esse trabalho ele é muito amplo, tem um carácter nacional, num país que tem as dimensões do Brasil. Em outros países menores da América do Sul esse trabalho foi feito por um conjunto muito maior de pessoas.

Essas duas pessoas estão fazendo muita falta. Eu preciso realmente que a presidente Dilma faça essa escolha rapidamente, mas não é só isso.

Nós precisamos criar no interior da Comissão um processo de delegação, um processo de constituição de verdadeiros embaixadores nossos, que possam dividir conosco esse trabalho. Porque sem uma descentralização grande (o trabalho) não vai poder, efetivamente, ser realizado.

Nós precisamos não somente dos assessores que nós temos na Comissão, mas nós precisamos de um conjunto de pesquisadores que nos auxiliem na investigação de documentos, que hoje é uma massa monumental, muito grande.

Claro que nós preferiríamos que ela fosse mais qualificada, nós preferiríamos ter os documentos que não foram até agora desclassificados pelo governo americano (desclassificados da categoria de secreto e ultrassecreto).

Nós pedimos esses documentos, mas não recebemos. Certamente, ali teríamos um material muito interessante para as nossas pesquisas, para desvendar questões, mas não temos esse material.

Mas nós temos um material muito grande, de outras procedências, acervos que estavam inclusive em órgãos públicos. Precisamos de muitos pesquisadores para examinar essa documentação.

Precisamos de muitas pessoas para irem aos Estados, fazerem audiências com vítimas.

Inclusive, para que nós da Comissão possamos nos concentrar em audiências com grandes violadores. Os grandes violadores e os financiadores – clique aqui para ler sobre o “PIB da tortura – o que sabe Paulo Sawaya ?” – PHA – desse grande processo que nós vivemos que foi a ditadura civil militar.

3 – PHA: Quem seriam esses embaixadores? Não seriam comissários? Seriam pessoas de outra natureza?

Rosa Cardoso: Podem ser vítimas, familiares, membros de Comissões da Verdade estruturadas nos Estados, pessoas que pertençam a comitês.

Enfim, nós vamos fazer uma seleção dessas pessoas.

Nós já convocamos, inclusive, algumas pessoas que pertencem a grupos que trabalham com a Comissão da Verdade para pensar conosco um plano de descentralização dessas nossas tarefas.

Isso é uma discussão recente, que surgiu nessa semana, é uma novidade a partir de todos esses impasses que nós temos vivido.

É natural, é normal, que familiares das vítimas, os comitês, os interessados na existência dessa Comissão da Verdade façam críticas, apresentem revindicações e demandas.

É uma oportunidade única, isso tem que ser bem digerido por nós, resolvido, solucionado e superado.

Mas, enquanto isso, nós temos que trabalhar. Então, há duas medidas que foram deliberados ontem ( segunda feira) em reunião – nessa reunião em que foi levada essa carta (dos familiares das vitimas).

Enquanto se pensa o que fazer sobre todas essas questões – e nessa sequência de manifestos, manifestações, cartas em torno de princípios que a Comissão da Verdade deve ter, e pelos quais deve se pautar – nós precisamos trabalhar. E o que nós decidimos é trazer para o grande debate, para o escrutínio público, as questões de metas, resultados e o material que temos e submeter tudo isso a crítica de vítimas e familiares.

4 – PHA: Eu devo entender então – pela sua descrição dessas deliberações tomadas agora – que, segundo o depoimento do jornalista Luiz Claudio Cunha havia uma divergência central entre a sua posição e a do comissário Paulo Sérgio Pinheiro. A senhora querendo abrir, e ele querendo fechar. Eu posso entender então que venceu a ideia de abrir o trabalho da Comissão?

Rosa Cardoso: Não, eu não faria pessoalmente essa interpretação. Eu deixo essa interpretação à crítica, aos jornalistas, à mídia que tem participado tanto desse processo.

Eu jamais interpretaria isso como uma vitória minha, pessoal.

Eu entenderia isso como uma coincidência de valores que eu estou tendo com o sentimento de democracia que explode nas ruas.

Eu acho que a Comissão da Verdade não é somente uma Comissão para recuperar um passado de brutalidade e censura.

Mas, é uma Comissão que tem que estar profundamente preocupada com a Democracia em um país que não transita hoje de um Autoritarismo para uma Democracia, mas de uma Democracia restrita para uma mais ampla.

Nós estamos afinados com essa visão de que precisamos de mais Democracia, de valores mais plebeus até.

Nossa Comissão não tem que ser uma comissão de notáveis, guiados pela ideia de que isso é um reconhecimento pela sua atuação anterior, ou é uma forma de ganharem reconhecimento. Mas que nós cumpramos esse trabalho, essa missão. Porque ela é mesmo muito densa, e precisa de muita ciência e dedicação, é isso o que está sendo pedido hoje de nós.

5 – PHA: E transparência!

Rosa Cardoso: Transparência, com certeza.

6 – PHA: Então, doutora, eu vou me dar o direito interpretar essa entrevista de uma maneira que talvez não a surpreenda.

Rosa Cardoso: Eu gosto muito de ser surpreendida.

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“No” trata com humor a derrota de Pinochet

O filme chileno “No” abriu na terça-feira a mostra Cinema pela Verdade, promovida pelo Instituto Cultura em Movimento e pela Comissão de Anistia, com apoio do Fórum Paranaense de Resgate da Verdade, Memória e Justiça. Cerca de 100 pessoas compareceram à exibição no Anfi100, da Universidade Federal do Paraná.

Após a projeção, houve um debate com o professor de Comunicação Mário Messagi, o jornalista Luiz Manfredini e a advogada Ivete Caribé da Rocha, integrante da Comissão Estadual da Verdade.

O filme relata a campanha pelo “não” no plebiscito convocado pelo ditador Augusto Pinochet em 1988. Com muito humor, ele aborda a relação conflituosa entre a política e o marketing.

Debatedores Mário Messagi Jr, Ivete Caribé da Rocha e Luiz Manfredini.

Debatedores Mário Messagi Jr, Ivete Caribé da Rocha e Luiz Manfredini.

Debatedores ressaltaram também as singularidades do fim da ditadura chilena, com Pinochet permanecendo à testa do Exército ainda por dez anos.

A mostra prossegue na próxima terça-feira, 23 de julho, às 19 horas, também no Anfi100, com o filme “Eu me lembro”, uma produção da Comissão de Anistia sobre os presos políticos, as torturas, o exílio e o retorno ao Brasil. No dia 1º de agosto, será a vez de “Marighella”, sobre aquele que foi considerado pela ditadura militar o inimigo número um. Será no Teatro da Reitoria da UFPR.

Fonte- Fórum Verdade

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Familiares criticam Comissão da Verdade

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Membros da Comissão Nacional da Verdade

Carta assinada por entidades dos direitos humanos e familiares de mortos e desaparecidos políticos durante a ditadura militar expõe “preocupação com a opacidade, falta de unidade e morosidade com que funciona” a Comissão Nacional da Verdade; texto pede mais audiências públicas e comprometimento com a busca da verdade, defende o retorno do ex-ministro Cláudio Fontelles, ex-presidente do colegiado, apoia a atual coordenadora, Rosa Cardoso, e pede a substituição do ministro Gilson Dipp, afastado por motivos de saúde

Os familiares de perseguidos pela ditadura militar enviaram nesta segunda-feira uma carta aberta à Comissão Nacional da Verdade (CNV) cobrando mudanças na formação do colegiado e no funcionamento dos trabalhos, que consideram pouco transparente, moroso e acompanhado por “divergências”.

Entre os pedidos, está o retorno do ex-ministro Cláudio Fonteles, ex-presidente do grupo, e substituição de Gilson Dipp, que se afastou do colegiado por motivos de saúde, além da realização de mais audiências públicas com depoimentos de familiares das vítimas do regime militar. O texto também declara total apoio à atual coordenadora, Rosa Cardoso.

“Houve momentos de entusiasmo de nossa parte, com os textos publicados por Cláudio Fonteles no site da CNV, comprometidos com a busca da verdade em torno dos mortos e desaparecidos políticos. Qual não foi nossa surpresa, quando vimos que essa postura era duramente questionada por outros integrantes da CNV!”, afirmam, em trecho da carta.

“A partir de então, temos assistido as divergências internas se transformarem em ataques pessoais e públicos, numa triste demonstração de descompromisso com a verdade e a história, refletindo na falta de clareza do papel histórico da CNV”.

A carta é assinada por 27 instituições que representam os 140 familiares de mortos e desaparecidos políticos e ex-prisioneiros políticos, entre eles Luiz Eurico Tejera Lisbôa e Clarice Herzog.

Leia abaixo a íntegra do texto, ao qual o 247 teve acesso.

Senhores Comissários,

Nós, familiares de mortos e desaparecidos políticos, ex-prisioneiros políticos, entidades, movimentos de luta pela Verdade e Justiça, militantes dos direitos humanos e lutadores sociais, vimos externar nossa indignação com os graves acontecimentos que envolvem a Comissão Nacional da Verdade e nossa preocupação com a opacidade, falta de unidade e morosidade com que tem funcionado a CNV.

Consideramos de extrema gravidade um eventual fracasso da Comissão Nacional da Verdade na consecução de seus objetivos principais. As consequncias de tal fato serão funestas não só para as gerações presentes, mas para o futuro de nossa nação.
Desde o inicio dos trabalhos da CNV, cobramos a apresentação de um plano mínimo de trabalho, com objetivos e metodologia definidos; enfatizamos a necessidade de priorizar a investigação sobre os mortos e desaparecidos políticos e sobre a estrutura de repressão.

Expressamos a necessidade e importância de convocar os agentes do estado responsáveis pelos crimes de tortura, assassinatos e desaparecimentos forçados.

Da mesma forma, consideramos fundamentais as audiências públicas, amplamente divulgadas pelo sistema público de comunicação social, com os testemunhos das vitimas, familiares e sobreviventes.

Houve momentos de entusiasmo de nossa parte, com os textos publicados por Cláudio Fontelles no site da CNV, comprometidos com a busca da verdade em torno dos mortos e desaparecidos políticos. Qual não foi nossa surpresa, quando vimos que essa postura era duramente questionada por outros integrantes da CNV!

A partir de então, temos assistido as divergências internas se transformarem em ataques pessoais e públicos, numa triste demonstração de descompromisso com a verdade e a história, refletindo na falta de clareza do papel histórico da CNV.

A divulgação do relatório parcial da CNV demonstrou desconhecimento das informações acumuladas, ao longo de mais de 40 anos, pelos envolvidos na luta pelo resgate da memória e da verdade histórica.

A existência da CNV, fruto da luta dos familiares de mortos e desaparecidos políticos, ex-prisioneiros e militantes dos direitos humanos, significa mais do que uma necessidade, é um momento impar da história de nosso país, quando ainda é possível construir a verdade com a participação dos últimos sobreviventes – testemunhos oculares dos fatos.

Neste momento em que tantas vozes se erguem pelo Brasil exigindo mais seriedade, respeito e presteza na consecução de políticas publicas, apelamos para a consciência cidadã de cada um dos membros dessa Comissão, para que coloquem os princípios dos direitos à Memória, Verdade e Justiça do nosso povo e, principalmente dos familiares dos mortos e desaparecidos, acima de quaisquer desentendimentos ou divergências, e propomos:

1. A imediata recomposição dessa Comissão, com a volta de Cláudio Fonteles, a substituição de Gilson Dipp e a garantia de que todos os integrantes estejam voltados prioritária e realmente para os trabalhos da CNV, e que estejam ainda comprometidos não apenas com o Direito à Verdade, Memória e Justiça, mas também com a concepção de Comissão que trabalhe com e para a sociedade, entendendo que o processo é tão importante quanto o relatório final;

2. Que a CNV intensifique as audiências públicas, devidamente organizadas, convocando agentes do Estado envolvidos nas graves violações aos direitos humanos, bem como as testemunhas – vítimas, familiares, sobreviventes;

3. Que o foco das investigações da CNV seja o esclarecimento dos casos dos mortos e desaparecidos políticos, motivo esse que levou à criação e constituição da CNV;

4. Que a CNV se transforme num coletivo, forte o suficiente para garantir a abertura total dos arquivos dos órgãos de repressão e informação da ditadura, tanto a nível federal como estadual.

Por fim, entendemos que o resgate da verdade não se restringe à elaboração de um relatório final pela Comissão Nacional da Verdade, mas sim, é o produto de trabalho coletivo que depende de interação com as diversas formas de organização e expressão da sociedade civil. Por isso, os signatários desta carta apresentam propostas e se solidarizam com o Dr. Claudio Fonteles, que, no seu período à frente da Comissão Nacional da Verdade, sinalizou o caminho a ser trilhado. Manifestamos também nossa total solidariedade à atual coordenadora Rosa Cardoso, que se identifica com nossas propostas e tem buscado o diálogo e a participação da sociedade.

“A única luta que se perde é a que se abandona.”

São Paulo, 15 de julho de 2013.

In memoriam aos familiares

Agrícola Maranhão do Vale
Alice Pereira Fortes
Alzira Grabois
Anita Lima Piahuy Dourado
Ariston Lucena
Arnaldo Xavier Cardoso Rocha
Benigno Girão Barroso
Berel Reicher
Blima Reicher
Carlos Alberto De Ré

Clélia Tejera Lisbôa
Consueto Ferreira Callado
Cristovam Sanches Massa
Cyrene Moroni Barroso
Davi Capistrano Filho
Dilma Alves
Edgar Corrêa
Edmundo Dias de Oliveira
Edwin Costa
Elza Joana dos Santos

Ermelinda Mazzafero Bronca
Eunice Santos Delgado
Euthália Rezende de Souza Nazareth
Fanny Akselrud de Seixas
Felícia Mardini de Oliveira
Guilhermina Bezerra da Rocha
Helena Pereira dos Santos
Ilma Linck Haas
Iracema Merlino

Irene Guedes Corrêa
Izabel Gomes da Silva
James Wright
João Baptista Xavier Pereira
João Luiz de Moraes
Julieta Petit da Silva
Lais Maria Botelho Massa
Luiza Monteiro
Lulita Silveira e Silva
Majer Kucinski
Manoel Porfírio de Souza

Márcia Santa Cruz
Márcio Araújo
Maria de Lourdes Oliveira
Maria Helena Carvalho Molina
Maria Madalena Cunha
Maria Mendes Freire
Odete Afonso Costa
Paulina da Silva
Rosalvo Cypriano Souza
Walter Pinto Ribas
Zuleika Angel Jones

Adilson Oliveira Lucena
Alberto Henrique Becker
Alessandra Gasparotto
Alípio Freire
Aluizio Palmar

Ana Maria Muller
Ângela Mendes de Almeida
Ângela Telma Oliveira Lucena
Antônio Pinheiro Salles
Aton Fon Filho
Beatriz Cintra Labaki

Bernardo Kucinski
Carlos Alberto Lobão Cunha
Carlos Gilberto Pereira
Carlos Lichtsztejn
Caroline Silva Bauer
Celso Carvalho Molina
César Augusto Teles
Cesar Cavalcanti
Clarice Herzog
Claudio Antonio Weyne Gutierrez
Claudio Carvalho Molina

Clélia de Mello
Clóvis Petit de Oliveira
Criméia Alice Schmidt de Almeida
Damaris Oliveira Lucena
Darcy Miyaki
Denise Oliveira Lucena
Derlei Catarina De Luca
Dulce Maia de Souza
Edson Luis de Almeida Teles
Edgardo Binstock
Edival Nunes Cajá
Eliete Ferrer
Elio Cabral
Elma Dutra

Elza Ferreira Lobo
Elzira Vilela
Enzo Luiz Nico Jr.
Francisco Celso Calmon
Gilberto Carvalho Molina
Gilney Amorim Viana
Helenalda Resende de Souza Nazareth
Hugo Albuquerque
Iara Xavier Pereira
Ivan Seixas
Janaína de Almeida Teles

João Carlos Bona Garcia
João Carlos Schmidt de Almeida Grabois
Laura Petit da Silva
Laurenice Noleto Alves
Lilian Celiberti
Lilian Ruggia
Lorena Moroni Girão Barroso
Marcelo Santa Cruz
Maria Amélia de Almeida Teles
Maria Cristina Vannucchi Leme
Maria Eliana de Castro Pinheiro
Maria Lygia Quartim de Moraes
Maria Madalena Prata Soares
Maria Regina Jacob Pilla

Maria Socorro de Castro
Marilda Toledo de Oliveira
Marta Nehring
Maurice Politi
Miriam Marreiro Malina
Nei Tejera Lisboa
Nilce Azevedo Cardoso
Noeli Tejera Lisboa
Orlando Bomfim Netto
Pedro Laurentino

Pedro Pomar
Pedro Rocha Filho
Pedro Serrano
Rafael Freire
Renan Honório Quinalha
Romildo Maranhão do Valle
Sérgio Ferreira
Suzana Keniger Lisbôa
Tatiana Merlino
Terezinha Souza Amorim
Thais Barreto

Togo Meirelles
Valter Pomar
Vera Cortês
Vivian Mendes
Walderes Nunes Loureiro
Yuri de Carvalho
Zilda de Paula Xavier Pereira

-As. dos Amigos do Memorial da Anistia Política do Brasil
-Casa Latino Americana – CASLA de Curitiba
-Centro de Direitos Humanos e Memória Popular de Foz do Iguacu
-Centro Cultural Manoel Lisboa
-Coletivo Catarinense Memória Verdade e Justiça
-Comissão da Verdade Memória e Jus
tiça do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de Goiás
-Centro de Direitos Humanos do Rio Grande do Norte
-Comissão de Familiares dos Mortos e Desaparecidos Políticos
-Comitê Carlos De Ré da Verdade e da Justiça
-Comitê Catarinense Pró-Mem
ória dos Mortos e Desaparecidos Políticos
-Comitê Goiano da Verdade, Memória e Justiça
-Comitê pela Verdade Memória e Justiça do DF
-Comitê pela Verdade Memória e Justiça – BA
-Comitê Memória Verdade e Justiça Campinas
-Comitê Memória Verdade e Justiça Ceará
-Comitê Memória Verdade e Justiça de Pelotas e região
-Comitê Memória Verdade e Justiça – Espírito Santo
-Comitê Direito Memória Verdade – Imperatriz/Ma
-Comitê Direito Memória Verdade – Paraíba
-Comitê Memória Verdade e Justiça – Pernambuco
-Comitê Memória Verdade e Justiça – Terezina/PI
-Comitê Paulista pela Memória Verdade e Justiça
-Fórum de Reparação e Memória do Rio de Janeiro
-Instituto de Estudos Políticos Mário Alves – Pelotas – RS
-Rede Social de Justiça e Direitos Humanos
-Sindicato dos Jornalistas da Paraíba

Fonte- Publicado originalmente em  no site 247.

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