CNV convoca 16 agentes da repressão para depor em Brasília

Os membros da CNV José Carlos Dias e Pedro Dallari colhem depoimento de agente da repressão em dezembro passado. Foto: Thiago Vilela / ASCOM - CNV

Os membros da CNV José Carlos Dias e Pedro Dallari colhem depoimento de agente da repressão em dezembro passado. Foto: Thiago Vilela / ASCOM – CNV

 

A Comissão Nacional da Verdade fará um mutirão para ouvir agentes envolvidos em graves violações de direitos humanos, como o extermínio da Guerrilha do Araguaia e a morte e desaparecimento de Rubens Paiva

A Comissão Nacional da Verdade convocou 16 agentes da repressão envolvidos com diversos episódios de graves violações de direitos humanos ocorridas no Brasil e no exterior entre 1964 e 1985 para prestarem depoimento na sede da Comissão, em Brasília, entre os dias 21 e 25 de julho.

“Os convocados estão citados em documentos relacionados a graves violações e a CNV deseja dar a eles a oportunidade de darem suas versões sobre os fatos antes da finalização do relatório da Comissão que será divulgado em dezembro deste ano”, afirmou o coordenador da CNV, Pedro Dallari, a respeito do conjunto de depoimentos que será realizado pela CNV.

Um dos 16 convocados é o general reformado José Antônio Nogueira Belham, que comandava o Destacamento de Operações e Informações (DOI), do I Exército, em janeiro de 1971, quando o deputado federal Rubens Paiva foi morto por integrantes do DOI.

Também foi chamado para depor o ex-sargento do Exército Jurandyr Ochsendorf e Souza, que participou da farsa montada pelo Exército sobre o resgate de Paiva por guerrilheiros. Além do Doi, Ochsendorf também teria atuado na Casa da Morte de Petrópolis, segundo depoimentos de ex-agentes da repressão.
Outro convocado é o ex-médico militar e general reformado Ricardo Agnese Fayad, ex-subsecretário de Saúde do Exército, que atuou no Doi-Codi do Rio e na Casa da Morte de Petrópolis.

Dos 16 convocados para os depoimentos em Brasília, Ochsendorf e Fayad não atenderam a convocações prévias da CNV. Numa das negativas, o ex-sargento internou-se no Hospital das Forças Armadas, em Brasília, na véspera da data estipulada para a audiência. Fayad simplesmente alegou para o agente da PF que o intimou que tinha uma consulta médica. Jamais apresentou uma justificativa formal.

Belham compareceu espontaneamente à CNV no início de 2013, entretanto ao ser convidado pela Câmara dos Deputados para prestar novos esclarecimentos sobre o caso Rubens Paiva, após a divulgação do relatório preliminar de pesquisa da CNV, em fevereiro deste ano, o general não compareceu.

Dos 16 convocados, 11 receberam a Medalha do Pacificador com Palma, uma das principais honrarias do Exército Brasileiro, mas que ficou marcada por ter sido concedida a inúmeros militares sob os quais recaem acusações de graves violações de direitos humanos durante a ditadura.

ARAGUAIA – Dos 16 convocados, sete atuaram nas campanhas realizadas pelas Forças Armadas entre 1972 e 1974 que identificaram ou dizimaram a grande maioria dos integrantes da Guerrilha do Araguaia.
O objetivo da CNV com estes depoimentos dos militares que atuaram no Araguaia é o de colher subsídios sobre as graves violações de direitos humanos cometidas no episódio, visando a audiência pública que a CNV realizará sobre o Araguaia, no dia 12 de agosto, em Brasília.

O comandante das ações militares que resultaram na morte da maioria dos integrantes da guerrilha, Sebastião Curió, não foi convocado para este bloco de depoimentos, pois será ouvido no contexto da audiência pública marcada para agosto.

Além dos episódios citados, os ex-agentes convocados também têm esclarecimentos a prestar sobre a prisão, tortura e morte de brasileiros no Estádio Nacional, no Chile, e outros episódios de conexão repressiva envolvendo colaboração com agentes da Argentina e do Paraguai, e com operações contra integrantes da Ação Libertadora Nacional (ALN), desencadeadas em São Paulo, que resultaram nas mortes de Iuri e Alex Xavier Pereira.

Os depoimentos dos agentes da repressão convocados pela CNV serão tomados pelo coordenador da CNV, Pedro Dallari, e os membros da comissão José Carlos Dias, Paulo Sérgio Pinheiro e Rosa Cardoso. A série de convocações e depoimentos continuará no Rio de Janeiro, entre os dias 28 de julho e 1º de agosto.

 

Fonte:

Comissão Nacional da Verdade
Assessoria de Comunicação

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