Decreto reestrutura Comissão Nacional da Verdade

A Presidenta da República, Dilma Rousseff, assinou Decreto proposto pelo Ministério do Planejamento que cria mais 11 cargos na Comissão Nacional da Verdade. Com a medida, solicitada pelos membros da CNV, sobe de 14 para 25 o número de cargos diretos na comissão.

A este número de cargos da estrutura da CNV somam-se servidores requisitados, estagiários, além de consultores e colaboradores eventuais. Confira o staff da CNV atual no novo site da Comissão.

A Lei nº 12.528, que criou a Comissão Nacional da Verdade, previu 14 cargos para a CNV: 1 DAS-5, 10 DAS-4 e 3 DAS-3. O Decreto nº 7.727, de 24 de maio de 2012, regulamentou a Estrutura da CNV com esses cargos, mas, devido ao volume do trabalho da CNV e ao seu prazo exíguo, logo se avaliou que essa estrutura de cargos era insuficiente.

Na reunião do colegiado de 27 de agosto do ano passado, o colegiado determinou à Secretaria-Executiva da CNV a tarefa de negociar junto ao Ministério do Planejamento cargos adicionais para suprirem especialmente as demandas da área administrativa. Desde então, uma proposta foi construída, discutida no âmbito do Planejamento e da Casa Civil, e resultou no novo Decreto, que substitui o anterior.

O novo Decreto, nº 7.919, publicado hoje no Diário Oficial da União (veja aqui e aqui), acrescenta à Estrutura da CNV 4 cargos DAS-3, 5 DAS-2 e 2 DAS-1, que se destinam às áreas de Comunicação, Gestão do Conhecimento e Arquivo, Gestão Administrativa e à estruturação da Ouvidoria da CNV.  O Regimento Interno da CNV deverá ser alterado para melhor acomodar as modificações na estrutura da Comissão.

Além disso, o Decreto prevê a transformação dos cargos de assessores em gestores de projeto, que terão a função de coordenar os trabalhos dos pesquisadores recrutados pelos grupos de trabalho da CNV.

Fonte- Comissão Nacional da Verdade

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Pablo Neruda foi morto por regime militar chileno, defende jornalista

“Pablo não morreu de câncer. O médico que o atendia havia dito que viveria por pelo menos cinco ou seis anos. Não

Desenho que alude ao poeta Pablo Neruda (1904-1973) nas imediações do bairro Bellavista, em Santiago (Chile)

Desenho que alude ao poeta Pablo Neruda (1904-1973) nas imediações do bairro Bellavista, em Santiago (Chile)

resta dúvida de que morreu como consequência do golpe de Estado.”
As palavras de Matilde Urrutia, viúva de Pablo Neruda, soaram logo após a morte do poeta chileno, em 1973, e até a sua própria, em 1985.

Apesar da grave denúncia, pouco foi feito até hoje para investigar esse que, se confirmado, seria o mais famoso caso de “desaparição” de opositores ao regime militar chileno (1973-1990).
O autor de “Canto Geral”, prêmio Nobel de Literatura de 1971, era amigo do presidente morto, Salvador Allende, com

quem compartilhava seu ideário esquerdista.
A Fundação Pablo Neruda, de Santiago, diz oficialmente que não há evidências para supor que Neruda foi assassinado pela ditadura.

Concordou, porém, com a decisão do juiz Mario Carroza, de exumar em março os restos do poeta, que se encontram em sua residência de Isla Negra, hoje um museu em sua homenagem.
“Será um grande avanço nas investigações. Os depoimentos que temos sobre seus últimos dias coincidem só até certo ponto, depois há muitas contradições. A exumação pode dar a resposta final para o mistério”, diz o jornalista e historiador espanhol Mario Amorós à Folha.
SOMBRAS
Amorós é autor de

“Sombras sobre Isla Negra” (ed. B – Edicciones), livro-reportagem em que são ouvidos os sobreviventes do episódio, confrontados com documentação sobre as viagens e a internação de Neruda.
Recém-lançada, a obra de Amorós está sendo usada na causa aberta na Justiça.
Neruda tinha um câncer de próstata. No dia 19 de setembro, apenas oito dias depois do ataque ao Palácio de la Moneda, passou mal. Sua viúva depois diria que o golpe e a morte violenta do cantor Victor Jara, vítima do regime, o abalaram muito e fizeram sua saúde deteriorar-se.
Foi, então, levado à Clínica Santa María, de Santiago. As pessoas que o viram aí declararam a Amorós que Neruda não parecia um doente terminal. No dia 22, porque estava muito nervoso, aplicaram-lhe um calmante. Nunca mais acordou.
“São muitas as evidências de que pode ter sido um assassinato. Neruda estava com uma viagem marcada para o México daí a alguns dias, onde falaria num evento político e tinha preparado um discurso sobre a

grave situação do Chile”, diz Amorós.
Quando Matilde voltou à La Chascona, a residência santiagueña do casal, ainda hoje mantida como era e aberta à visitação pública, encontrou o lugar revirado e saqueado. A polícia prontamente identificou o episódio com a ação de ladrões.
Com a imprensa pressionada pelo governo, as denúncias de Matilde tiveram pouco eco na época.
Há alguns anos, porém, o caso começou a voltar à tona. Sobre a clínica, passaram a haver suspeitas de assassinatos, como o do ex-presidente chileno Eduardo Frei Montalva (1964-1970), internado ali por um simples procedimento e morto misteriosamente nos anos 1980.
João Wainer/Folhapress

Desenho que alude ao p

oeta Pablo Neruda (1904-1973) nas imediações do bairro Bellavista, em Santiago (Chile)
CHOFER
Em maio de 2011, o chofer do casal Neruda, Manuel Araya, deu uma entrevista à revista mexicana “Proceso” em que relatava o bom estado de Neruda e a existência de chamadas com ameaças à sua casa, em Isla Negra.
Araya, então um jovem de 27 anos, hoje defende a versão do assassinato e é uma das principais fontes de Amorós.
A investigação da morte de Neruda promete ocupar bom espaço durante o aniversário de 40 anos do golpe militar.
O resultado da exumação deve sair na mesma época. Também recentemente, alguns casos famosos tiveram importantes avanços, como o julgamento dos responsáveis pela morte de Victor Jara.
“O Chile demorou m

uito para tratar o tema de modo transparente e distanciado, afinal, a ditadura foi um trauma grande, que levou muitos anos e deixou várias marcas. Agora é a hora de as verdades aparecerem”, diz Amorós.

 

Fonte- Folha de S. Paulo

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Morre em SP homem torturado pela ditadura quando tinha 1 ano

Morreu no último sábado, em São Paulo, uma das mais icônicas vítimas da ditadura militar no Brasil. Carlos Alexandre

Carlos aos 3 anos, com os pais.

Carlos aos 3 anos, com os pais.

Azevedo, torturado no Departamento Estadual de Ordem Política e Social (Deops) paulista quando tinha apenas 1 ano e 8 meses, em 1974, era filho do jornalista Dermi Azevedo, militante e um dos fundadores do Movimento Nacional dos Direitos Humanos (MDNH). Pelo Facebook, o pai de Carlos Alexandre afirmou que seu filho tirou a própria vida por não suportar o trauma vivido na infância.
No dia 14 de janeiro de 1974, Carlos Alexandre e sua mãe foram levados à sede do Deops de São Paulo, onde Dermi estava preso. “Cacá, como carinhosamente o chamávamos, foi levado depois a São Bernardo do Ca

mpo, onde, em plena madrugada, os policiais derrubaram a porta e o jogaram no chão, tendo machucado a cabeça. Nunca mais se recuperou. Como acontece com os crimes da ditadura de 1964-1985, o crime ficou impune. O suicídio é o limite de sua angústia”, disse o pai em seu perfil na rede social.
Segundo Dermi, Carlos Alexandre ficou com sequelas após a tortura. “Ele passou a ter quase uma paranoia, adquiriu um transtorno psicológico que os psiquiatras chamam de fobia social”, afirmou, em entrevista ao Terra. Devido a seu quadro clínico, o filho do jornalista era submetido a tratamentos com antidepressivos e antipsicóticos. No último sábado, uma overdose dos medicamentos pôs fim à vida de Carlos Alexandre.
“Eu considero que o meu filho foi suicidado, e não se suicidou. Ele foi tão maltratado pela ditadura que acabou tirand

o a própria vida”, afirmou Dermi Azevedo. “O caso do meu filho é escandaloso pelo fato de que, com apena

s 1 ano e 8 meses, ele ter sido levado preso comigo e com a mãe dele, e ter sido submetido às mesmas torturas que nós passamos”, relatou.
No Facebook, Dermi pediu orações a seu filho e à

u e certamente o agradecerá pela qualidade do serviço. Meu filhinho, você sofreu muito. Só Deus pode copiosamente banhar-te com a água purificadora da vida eterna.”
Em nota, o MNDH emitiu nota de solidariedade à família de Dermi Azevedo. “Hoje a ditadura militar concluiu a morte de Carlos, iniciada em tão tenra idade. Este acontecimento entristece a todos nós profundamente e fortalece nosso empenho na luta por memória, verdade e justiça, de forma que a impunidade não continue se perpetuando”, diz o texto.
Em janeiro de 2010, Carlos Alexandre foi declarado “anistiado político”, tendo direito a uma indenização de R$ 100 mil. Naquele ano, em entrevista à revista IstoÉ, ele relatou o drama vivido desde a tortura sofrida. “A indenização não vai apagar nada do que aconteceu na minha vida. Mas a anistia é o reconhecimento oficial de que o Estado falhou comigo. Para mim, a ditadura não acabou. Até hoje sofro os seus efeitos. Tomo antidepressivo e antipsicótico. Tenho fobia social.”

Fonte-Terra

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Conjunto de 161 documentos revela que ditadura investigou centenas de pessoas em Curitiba

Um conjunto de documentos pertencentes ao acervo do Arquivo Público do Paraná revela que em apenas dois anos a Delegacia de Ordem Política e Social investigou centenas de pessoas e instituições paranaenses.
arquivodops
Dirigida pelo delegado Ozias Algauer, conhecido pelo seu sadismo ao torturar os presos que caiam em suas mãos, a DOPS, tinha o poder de por um simples ofício quebrar o sigilo bancário e fiscal dos investigados, provocar a demissão de funcionários públicos, de empregados de empresas privadas e expulsão de estudantes e professores das universidades. O ônus da prova cabia aos alvos das apurações.

Fonte- Documentos Revelados/Aluizio Palmar/

http://www.documentosrevelados.com.br/geral/11648/

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Comissão Estadual da Verdade terá integrantes indicados pelo Fórum

decreto COMISSAO VERDADE

Decreto 7.128, publicado no diário oficial do Estado.

O governador Beto Richa nomeou, no dia 28 de janeiro, com o decreto 7.128, os sete integrantes da Comissão Estadual da Verdade, cuja lei, de iniciativa do Poder Executivo, havia sido aprovada pela Assembleia Legislativa e sancionada no final de novembro último. Dos sete nomes nomeados, seis foram indicados pelo Fórum Paranaense de Resgate da Verdade, Memória e Justiça.

Passam a fazer parte da Comissão Estadual da Verdade:

MARCIO MAURI KIELLER GONÇALVES– sindicalista bancário e atual vice-presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) do Paraná.

IVETE MARIA CARIBÉ DA ROCHA- advogada, assessora jurídica da Casla- Casa Latino-Americana e membro do Comitê de Refugiados e Migrantes do Paraná.

LUIZ EDSON FACHIN– professor titular de Direito Civil da UFPR e jurista com renome nacional.

OLYMPIO DE SÁ SOTTO MAIOR NETO– procurador do Ministério Público do Paraná e coordenador do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Proteção aos Direitos Humanos do Paraná.

PEDRO RODOLFO BODÊ DE MORAES– professor doutor do Setor de Ciências Humanas da UFPR e especialista em estudos sobre a violência.

VERA KARAN DE CHUEIRI- professora doutora de Direito, vice-diretora do Setor de Ciências Jurídicas da UFPR.

NEIDE DE AZEVEDO LIMA– foi presidente do Movimento Feminino pela Anistia. O Fórum a referenda como sua sétima indicada.

 

 

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http:// www.ufpr.br

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Documento inédito mostra como Rubens Paiva foi preso

Um documento que permaneceu inédito até agora será mais uma peça no quebra-cabeça para esclarecer o desaparecimento do ex-deputado Rubens Paiva (1929-71) durante a ditadura militar.

Com data de 25 de janeiro de 1971, o Informe nº 70 do DOI-Codi carioca relata as circunstâncias em que o ex-deputado do PTB foi levado de sua casa, no Rio, por agentes do Cisa (extinto órgão de inteligência da Aeronáutica).rubenspaiva rubenspaiva

É a primeira vez que vem a público um documento oficial em que é mencionado que Paiva “foi localizado, detido e levado para o QG da 3ª Zona Aérea” e, de lá, para o DOI-Codi do Rio.

Até então, a única prova documental de que ele esteve em uma unidade militar era a lista de seus pertences pessoais emitida no momento de sua entrada no DOI-Codi -descoberta em novembro passado na casa de um coronel da reserva assassinado, em Porto Alegre.

O informe, ao qual a Folha teve acesso, foi encontrado no Arquivo Nacional, em Brasília, por Jason Tércio, autor de uma nova biografia de Rubens Paiva que será lançada neste ano pela série “Perfis Parlamentares”, da Câmara dos Deputados.

Destinado à Agência Rio de Janeiro do Serviço Nacional de Informações (ARJ/SNI), seção fluminense do órgão de espionagem da ditadura, o informe relata que o Cisa recebeu ordens para fazer uma revista em um avião da Varig procedente de Santiago, no Chile, que chegaria ao Aeroporto do Galeão, no Rio, à 0h do dia 20 de janeiro de 1971.

Na ocasião, foram detidas as passageiras identificadas como Cecília Viveiros de Castro e Marilene de Lima Corona -mãe e cunhada do brasileiro exilado Luiz Rodolfo Viveiros de Castro.

Elas traziam cartas de exilados políticos em Santiago que, segundo Marilene, citada no informe, “deveriam ser entregues no Rio a um senhor por nome Rubens que as faria chegar aos destinatários”.

Uma semana antes, a mesma aeronave da Varig havia levado para o Chile os 70 ex-presos políticos libertados em troca do embaixador suíço Giovanni Bucher, sequestrado em dezembro de 1970 pela organização Vanguarda Popular Revolucionária (VPR).

De acordo com o relato, Marilene informou o número do telefone pelo qual contataria Paiva, o que levou os agentes a descobrirem o endereço dele. “Através de levantamento, foi apurado que o aparelho nº 227-5362 está instalado à av. Delfim Moreira nº 80, em nome de Rubens Beyrodt Paiva”, diz o informe.

Com carimbo de confidencial, o documento relata ainda que Paiva foi localizado no mesmo dia e levado para o DOI-Codi, assim como Cecília e Marilene -fatos já conhecidos por relatos de testemunhas, mas sem confirmação oficial por documentos.

PARADEIRO

O que ainda não foi esclarecido são as circunstâncias da morte de Paiva e o paradeiro de seus restos mortais.

Novos documentos sobre o caso serão revelados nesta semana pelo coordenador da Comissão Nacional da Verdade, Cláudio Fonteles.

Em entrevista à Folha em janeiro, ele afirmou que os textos ajudarão a identificar os responsáveis pela morte do ex-deputado.

A biografia escrita por Jason Tércio traz algumas das hipóteses, como a de que Rubens Paiva morreu durante uma sessão de choques e que foi enterrado como indigente no Cemitério do Caju, no Rio, ou nas proximidades de uma delegacia no Alto da Boa Vista, zona norte da cidade.

A versão sustentada pelo Exército é a de que Paiva fugiu em um resgate enquanto era levado para reconhecer uma casa no subúrbio do Rio.

Relatos de testemunhas, contudo, afirmam que ele morreu sob tortura.

Fonte-Folha de S. Paulo

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Em 1991, governo do Paraná abriu arquivos da ditadura

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Comissão da Verdade deve debater recomendações com a sociedade

O coordenador da Comissão Nacional da Verdade, Claudio Fonteles, defende que a sociedade participe de todo o processo de discussão e elaboração das recomendações da CNV. “A sociedade deve ser consultada sobre temas que possam constar das recomendações”, afirmou.

O tema foi um dos debatidos na reunião de planejamento da CNV para 2013, realizada no início desta semana em Brasília.claudiofonteles

A Comissão Nacional da Verdade foi instalada em maio de 2012 para produzir em dois anos um relatório circunstanciado das graves violações de direitos humanos que ocorreram entre 1946 e 1988, período que inclui o regime ditatorial de 1964 a 1985. Com o relatório, a CNV deve apresentar recomendações concretas ao Estado brasileiro para evitar que se repita no país uma nova experiência de supressão de direitos.

Fonteles, que está no último mês de seu mandato como coordenador da CNV, voltou a falar da questão da formação militar, que já havia abordado em entrevistas e quando a Comissão esteve em Belém, em agosto.

Em debate realizado no Instituto Brasileiro de Museus, no último dia 16, Fonteles afirmou que “as recomendações devem ser sobre coisas bastante práticas: qual o papel constitucional reservado ao militar na construção de uma sociedade democrática?”, exemplificou.

Em Belém, no final de agosto, durante um encontro na Ordem dos Advogados do Brasil, a Comissão de Direitos Humanos local denunciou trotes violentos ocorridos numa unidade da Aeronáutica. A CNV levou o caso ao conhecimento do Ministério da Defesa e ao Procurador-Geral da Justiça Militar, Marcelo Weitzel.

Recomendações

Em entrevista, Fonteles voltou a defender a preservação de locais pelo país onde ocorreram graves violações de direitos humanos e a sua transformação em espaços de memória.

“Foi uma política traçada pela Comissão, que certamente vai se consolidar também nas recomendações: transformar todos esses locais, no país inteiro, que se notabilizaram por representar a repressão do estado ditatorial militar, esses espaços de tortura e assassinatos, em museus, espaços vivos, de construção da história, de conhecimento, para que nunca mais se repita essa experiência ditatorial, para que não se esqueça, para que nunca mais aconteça”, disse.

A CNV já oficiou recomendando a autoridades federais, municipais e estaduais a preservação de prédios onde funcionaram unidades do Doi-Codi, do Dops e outros locais onde ocorreram graves violações de direitos humanos para a sua posterior transformação em espaços de memória.

Fonteles defende a popularização dos museus e dos arquivos públicos e que a visitação dos cidadãos a estes espaços se torne uma atividade tão cotidiana “quanto ir à padaria”. O coordenador da CNV afirma que desde maio semanalmente vai ao Arquivo Nacional para pesquisa documental e que esse trabalho mudou sua visão sobre arquivos. “Para mim, arquivo era uma coisa morta, imprestável, papel inútil. E hoje eu não saio de lá”.

Arquivo Nacional

Foi com base em documentos localizados no Arquivo Nacional que Fonteles produziu 11 textos sobre sete casos de mortos e desaparecidos e quatro outros contextualizando questões relativas à estruturação do Estado ditatorial-militar, que estão disponíveis para consulta popular e sugestões no site da CNV. A ideia dos textos é demonstrar, com documentos produzidos pelo próprio regime, as mazelas da ditadura.

A Comissão Nacional da Verdade esteve reunida nos dias 28 e 29 de janeiro para definir o planejamento de ações para o ano de 2013. A meta estabelecida pela Comissão é concluir sua pesquisa até o final deste ano e usar 2014 para dar a redação final ao relatório e as recomendações.

Fonte: Portal da Comissão Nacional da Verdade

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Fórum quer trocar nomes de ruas e espaços que homenageiem pessoas ligadas à ditadura

Criado para apoiar os trabalhos da Comissão da Verdade, instituída em 2011 pela presidente Dilma Rousseff para apurar denúncias de violação de direitos humanos durante o governo militar, o Fórum Paranaense de Resgate da Verdade, Memória e Justiça quer rever homenagens prestadas a agentes da repressão, mudando nomes de ruas e espaços públicos do Estado que façam referências a torturadores ou pessoas ligadas à ditadura. A lista inclui os ex-presidentes Emílio Garrastazu Médici (1969-74) e Ernesto Geisel (1974-79), que ainda hoje dão nome a escolas e outros equipamentos públicos no Paraná.

A proposta faz parte de um projRodoviaCasteloBranco_PlacaWeto que pretende ainda resgatar a história da luta pela redemocratização do País, prestando homenagem aos militantes mortos pela repressão. Uma das iniciativas é a criação do “Museu de Percurso”, com totens instalados em pontos da cidade que foram palco da resistência ao governo militar, como o prédio da Reitoria, a Igreja do Guadalupe, que abrigou reuniões clandestinas durante o período, a Boca Maldita, onde foi realizado o comício das “Diretas Já”.

Segundo o jornalista Roberto Salomão, um dos coordenadores do fórum, os pontos para a instalação desses totens já estão definidos e o texto com as informações históricas que devem constar nos mesmos foram enviados no ano passado ao Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc). Já os logradouros públicos que trazem nomes de agentes da repressão ainda teriam que serem levantados. Mas basta uma simples pesquisa na internet para revelar a existência de uma escola municipal em Curitiba com o nome de Geisel, e outra estadual em Cianorte, que também traz a alcunha do ex-presidente. “Na minha opinião, isso é inaceitável sob qualquer ponto de vista”, avalia Salomão, citando relatos como o do jornalista Elio Gaspari, na série de livros sobre os bastidores do governo militar, que aponta que Geisel teve conhecimento pessoal da existência de um sistema de repressão que incluía tortura e execuções sumárias durante os governos militares. “Nossa ideia é não só tirar os nomes dos torturadores, mas homenagear as pessoas mortas pela ditadura”, explica ele.

O fórum esteve ontem em visita à Câmara Municipal, onde pediu apoio do presidente da Casa, vereador Paulo Salamuni (PV), para acelarar a implantação dessas propostas. “A Câmara vai trabalhar junto com o Fórum. Nos interessa ao máximo o resgate desta história, primeiro pelo reconhecimento da resistência, segundo para que a ditadura nunca mais se repita.

Memorial — O Fórum quer criar ainda o Memorial da Resistência, um espaço que disponibilize para a cidade um material completo, incluindo fotos, documentos, filmes e livros sobre o período da ditadura militar. No ano passado, durante a passagem da 63ª Caravana da Anista a Curitiba, o fórum promoveu o que chamou de “Caminhos da Resistência”, marcando provisoriamente locais como a Praça Rui Barbosa, utilizada pela ditadura militar para prender temporariamente opositores ao regime. Outros quatro marcos de memórias foram sinalizados no antigo presídio do Ahú, e os locais de resistência, a Boca Maldita, Reitoria e prédio Histórico da UFPR,onde o movimento estudantil lutou contra o regime militar e a violação dos direitos humanos.
Outro ponto utilizado pela ditadura seria a chamada Clinica Marumbi, local de tortura contra os militantes presos no Paraná durante a Operação Marumbi. A clinica, segundo alguns relatos de ex-presos políticos, ficava na antiga veterinária do Exercito, ao lado do Shopping Curitiba.

 

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OEA inicia investigação do caso Vladimir Herzog

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos, da Organização dos Estados Americanos, admitiu oficialmente a investigação do caso do jornalista Vladimir Herzog, assassinado em 1975, durante a ditadura militar. A decisão, tomada internamente em novembro e divulgada na terça-feira por familiares de Herzog, abre caminho para se investigar as responsabilidade do Estado brasileiro no caso.
herzog telefone
O pedido de investigação tramita na OEA desde 2009. No ano passado, o governo brasileiro foi consultado pela instituição e tentou obstruir o processo. Mas os seus argumentos foram rejeitados, segundo Viviana Krsticevic, diretora executiva do Centro pela Justiça e o Direito Internacional, uma das três organizações de direitos humanos que, ao lado dos familiares, assinaram a petição à comissão.

O governo alegou que é impossível punir os responsáveis por causa da Lei da Anistia de 1979, que teria beneficiado também agentes de Estado acusados de violações de direitos humanos. “A Comissão segue a jurisprudência da Corte Interamericana, que estabelece que são inadmissíveis disposições de anistia destinadas a impedir a investigação e a punição dos responsáveis por violações de direitos humanos, como a tortura, execuções sumárias, prisões e desaparecimentos forçados”, disse Viviana.

O engenheiro Ivo Herzog, filho do jornalista assassinado e presidente do instituto que leva o nome do pai, disse que ele e sua família querem saber quem foram os responsáveis. “Essa decisão da comissão não favorece só minha família. Beneficia muitas famílias que vivem situações semelhantes”, afirmou.

Nos próximos dias, as organizações peticionárias enviarão novos informes à OEA sobre o caso. No final, de acordo com os procedimentos normais, não haverá nenhuma responsabilização de pessoas. Mas poderão ser cobradas providências do Estado brasileiro para a melhoria de suas instituições e garantia de que se faça Justiça. Segundo Viviana, um dos alvos principais da análise é o Judiciário.

Fonte- O Estado de S. Paulo

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